A cidade de Olhão está a ser descoberta por visitantes que procuram no Algarve uma experiência diferente, marcada pela arquitetura, pela ligação ao mar e por um ritmo mais tranquilo. Uma família estrangeira que passou pela cidade descreveu a experiência como uma oportunidade para “deixar os problemas para trás”, destacando as ruas, a hospitalidade dos portugueses e o ambiente local.
O testemunho foi partilhado no TikTok pela conta @stephetseb e apresenta Olhão como um destino onde o interesse não está apenas nos pontos turísticos, mas também na possibilidade de caminhar pela cidade e observar o quotidiano. “E se o verdadeiro luxo fosse simplesmente desacelerar?”, questionam os visitantes, antes de descreverem aquilo que encontraram.
Paisagem urbana com influência árabe
Uma das formas de perceber a identidade de Olhão é subir à torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosári, segundo aponta o blog Viagens à Solta. A partir desse ponto é possível observar várias casas com açoteias, os tradicionais terraços de inspiração árabe que substituem os telhados.
A disposição dos edifícios, com casas brancas que parecem formar um conjunto de cubos sobrepostos, ajuda a explicar a designação de “vila cubista”. A arquitetura tornou-se, desta forma, uma das características mais reconhecíveis da cidade e um dos elementos que marcam a experiência de quem percorre as suas ruas.
Entre o mercado e o antigo bairro de pescadores
O Mercado de Olhão é outro dos pontos de passagem para quem pretende conhecer a cidade. O espaço é composto por dois edifícios de tijolo vermelho, um dedicado ao peixe e ao marisco e outro onde são comercializadas frutas e hortaliças provenientes do interior algarvio.
No Bairro da Barreta, a paisagem assume uma dimensão mais residencial. As ruas estreitas formam um antigo bairro de pescadores, onde permanecem pequenas casas brancas, grelhadores e outros elementos associados ao quotidiano local. O Viagens à Solta destaca também o Circuito das Lendas de Olhão, constituído por cinco estátuas distribuídas por cinco praças.
Marcas de uma cidade ligada à pesca
A memória da atividade piscatória e conserveira também está presente na arte urbana. Na Rua da Fábrica Velha e nas zonas envolventes, as paredes de antigas fábricas receberam intervenções que recuperam referências ao passado industrial de Olhão.
Na Rua do Comércio encontra-se outro dos cenários característicos da cidade. A calçada portuguesa, combinada com as redes de pescadores colocadas sobre a rua, cria uma paisagem urbana que mantém elementos ligados à atividade marítima.
Viagem que mudou a história de Olhão
Junto ao mercado e ao cais encontra-se uma réplica do caíque Bom Sucesso, embarcação que ficou associada a um episódio importante da história local. Em 1808, 17 olhanenses partiram rumo ao Brasil para comunicar ao príncipe regente D. João que as tropas francesas tinham sido expulsas do Algarve.
A viagem foi realizada sem instrumentos de navegação e recorrendo apenas a um mapa náutico rudimentar. Os homens chegaram ao Rio de Janeiro dois meses e meio depois. O episódio contribuiu para que a localidade recebesse o título de “Vila de Olhão da Restauração” e passasse a ter estatuto de concelho.
Da cidade às praias da Ria Formosa
A relação com o mar estende-se para além do centro urbano. O concelho de Olhão possui cinco praias integradas no Parque Natural da Ria Formosa: Armona Ria, Armona Mar, Fuseta Mar, Fuseta Ria e Praia dos Cavacos.
A cidade tem ainda ligação fluvial à ilha da Culatra, onde se encontram as praias da Culatra, dos Hangares e da ilha do Farol. Importa ainda destacar que a ilha pertence administrativamente ao concelho de Faro, apesar de existir ligação por barco a partir de Olhão.
Um passeio entre salinas, natureza e história
Entre os locais que podem ser visitados na cidade encontram-se também o Museu Municipal de Olhão, instalado no antigo edifício do Compromisso Marítimo, a Capela do Senhor dos Aflitos e a Avenida da República. O Compromisso Marítimo, criado em 1765, era uma confraria destinada a proteger os pescadores, que contribuíam com parte dos seus rendimentos para terem acesso a cuidados médicos e medicamentos.
Fora do centro, as salinas permitem observar a produção de sal marinho e várias espécies de aves aquáticas. Na Quinta de Marim funciona o Centro de Informação do Parque Natural da Ria Formosa, existindo também um moinho de maré, um chalet, um percurso pedestre e um centro de recuperação de aves.
Para terminar a visita, o cais de Olhão acompanha a Ria Formosa e reúne jardins e esplanadas. É neste conjunto de ruas, edifícios, paisagens e tradições que os visitantes encontraram o ambiente que procuravam. “Ruas cheias de encanto, a simpatia dos portugueses e, sobretudo, esta sensação de deixar os problemas para trás”, escreveu a família na publicação do TikTok, resumindo assim a passagem pela cidade.















