A investigação portuguesa do arquiteto e professor universitário Nuno Rio foi apresentada em Paris, na infraBIM Open 2026, uma das conferências internacionais de referência na área do BIM.
O trabalho propõe um modelo digital pioneiro para salvaguardar e gerir a arquitetura tradicional, em alinhamento com a nova Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM, aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 89/2026, e com o Decreto-Lei n.º 108/2026, de 29 de maio.
Desenvolvido no âmbito do doutoramento em Arquitetura na Universidade Lusófona, o estudo foi selecionado para o programa principal de investigação da infraBIM Open 2026, realizada no campus da ESTP, em Paris, ao lado de projetos de instituições internacionais como a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e a Universidade de Tsukuba, no Japão.
Intitulado “Resilient Infrastructure Data: A Structured openBIM Framework for Traditional Roofing Systems”, o trabalho utiliza as coberturas tradicionais em telha canal, características do Algarve e do sul da Europa, como caso de estudo.
Modelo liga património tradicional à transição digital da construção
A investigação pretende demonstrar que os modelos digitais aplicados à construção não devem limitar-se a “desenhos 3D geométricos”, mas funcionar como bases de dados interoperáveis, capazes de circular entre diferentes plataformas e sistemas.
Segundo Nuno Rio, “conseguimos transformar o conhecimento construtivo tradicional em dados abertos e interoperáveis (openBIM). Isto permite prever cenários de reabilitação, dimensionamento, reutilização de materiais para cenários de construção circular e avaliar o potencial de reutilização de elementos após crises climáticas, como a exposição a ventos fortes ou fenómenos extremos como terramotos”.
Um dos aspetos diferenciadores do estudo está na ligação entre a escala do edifício, através do BIM, e a escala do território, através dos sistemas GIS. Ao associar “identificadores territoriais” aos componentes da construção, o modelo permite preparar o edificado tradicional para integrar futuros fluxos de dados em gémeos digitais das autarquias.
Este avanço surge num momento em que Portugal reforça a aposta na digitalização do setor da construção, com o objetivo de desburocratizar processos, aumentar a sustentabilidade e promover a gestão digital progressiva dos ativos públicos.
A presença de Nuno Rio na infraBIM Open 2026 dá visibilidade internacional à investigação científica portuguesa numa área considerada estratégica para o futuro da construção, da reabilitação, da arquitetura tradicional e da gestão sustentável do território.
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