O mar ao largo de Faro está a proporcionar avistamentos pouco habituais. Nunca terão sido observadas tantas baleias nesta zona do Algarve, com diferentes espécies a aparecerem nas águas algarvias, incluindo algumas associadas a regiões tropicais. O fenómeno, segundo uma reportagem da RTP, está agora a ser estudado por especialistas.
A diversidade dos animais observados torna a situação ainda mais invulgar. Para além das baleias que passam habitualmente pela região em determinadas alturas do ano, foram também avistados cachalotes pela primeira vez nas águas do Algarve, de acordo com a estação pública.
Esta presença crescente destes gigantes do oceano não está apenas a despertar a curiosidade de investigadores. Os passeios turísticos dedicados à observação de cetáceos também têm aumentado, dando a quem parte de Faro a possibilidade de encontrar diferentes espécies em pleno Oceano Atlântico.
Águas de Faro são importantes para algumas espécies de baleias
Apesar dos atuais avistamentos chamarem a atenção pelo número e diversidade, a presença de grandes cetáceos ao largo de Faro não é totalmente desconhecida.
Um estudo científico publicado em maio de 2026 na revista Marine Biology analisou dados recolhidos entre 2020 e 2024 e concluiu que a zona de Faro poderá representar um importante local sazonal de alimentação para a baleia-comum, o segundo maior animal do planeta.
Os investigadores reuniram um catálogo regional de 86 baleias-comuns identificadas individualmente através de fotografias e estimaram que cerca de 1.476 indivíduos utilizaram a área estudada durante o período analisado. Algumas das mesmas baleias foram ainda reconhecidas em anos diferentes, sugerindo que podem regressar sazonalmente à região.
Embora a primavera tenha registado o maior número de observações, os dados mostraram também um segundo aumento mais pequeno durante o mês de agosto. As baleias-comuns foram observadas em todos os meses do ano abrangidos pelos dados do estudo.
Estas condições podem explicar a presença de baleias nesta zona do Algarve
A zona marítima estudada estende-se ao largo da costa algarvia e é influenciada tanto pelo Oceano Atlântico como pelas trocas de água relacionadas com a entrada do Mediterrâneo.
Segundo os investigadores, durante o verão os ventos podem favorecer fenómenos de afloramento costeiro, através dos quais águas mais profundas e ricas em nutrientes chegam mais perto da superfície. Estes processos contribuem para a produtividade do ecossistema e podem criar condições favoráveis à alimentação de várias espécies marinhas.
No caso das baleias-comuns analisadas entre 2020 e 2024, a alimentação foi mesmo o comportamento registado com maior frequência, correspondendo a 75 das 170 observações comportamentais incluídas no estudo.
No entanto, isso não significa que já exista uma explicação para a quantidade e variedade excecionais de cetáceos observadas atualmente. A RTP refere precisamente que a presença de algumas espécies tropicais está a ser estudada.
Mar ao largo de Faro registou temperaturas invulgarmente elevadas
Há ainda outro dado recente sobre as águas algarvias. O Instituto Hidrográfico anunciou em julho que tinha identificado duas ondas de calor marinhas ao largo de Faro.
Entre 15 de junho e 9 de julho de 2026, a boia Faro Costeira registou temperaturas da superfície do mar significativamente superiores à média climatológica de referência de 1984 a 2024. No episódio mais recente, a temperatura média diária aproximou-se dos 25 ºC.
Por enquanto, não está demonstrado que estas temperaturas expliquem os atuais avistamentos de espécies tropicais ou o aparecimento dos cachalotes. A ocorrência simultânea ajuda, contudo, a reforçar o interesse científico em perceber as alterações que estão a acontecer nesta zona do oceano.
Que baleias podem ser vistas no Algarve?
Na região de Faro, a baleia-comum é uma das grandes espécies que pode aparecer durante as suas deslocações e períodos de alimentação. A Ocean Vibes, empresa de observação e investigação de cetáceos que opera na região, refere ainda a possibilidade de observar baleias-anãs, baleias-sardinheiras, baleias-de-Bryde e, mais raramente, baleias-de-bossa.
A própria empresa trabalha com biólogos marinhos e utiliza as saídas de observação para recolher informação científica sobre a fauna existente ao largo de Faro.
Agora, aos cetáceos já conhecidos na região juntam-se observações particularmente invulgares. Cachalotes foram registados pela primeira vez nas águas algarvias e nunca terão sido vistas tantas baleias ao largo de Faro, um fenómeno que poderá ajudar os investigadores a conhecer melhor a importância desta zona do sul de Portugal para alguns dos maiores animais do planeta.
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