Carlos Brito, histórico dirigente do Partido Comunista Português (PCP), morreu esta quinta-feira, aos 93 anos. Embora tenha nascido em Moçambique, mudou-se para Portugal aos três anos de idade. Considerava-se natural de Alcoutim, no Algarve, localidade onde viveu e acabou por falecer. O antigo responsável comunista estava ligado a alguns dos momentos mais marcantes da história recente do partido, tendo sido uma das figuras próximas de Álvaro Cunhal e um dos rostos do PCP no período do 25 de Abril.
A morte de Carlos Brito foi avançada pela SIC Notícias e confirmada ao jornal Público pelo presidente da Câmara de Alcoutim, Paulo Paulino.
A ligação ao Algarve manteve-se até ao fim da vida. Segundo a informação conhecida, Carlos Brito tinha um historial de insuficiência cardíaca e esteve recentemente internado no Hospital de Faro, de onde teve alta na segunda-feira. Já em casa, em Alcoutim, ter-se-á sentido mal durante a tarde desta quinta-feira, tendo sido acionada uma ambulância que o transportou para o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António.
Antigo dirigente do Partido Comunista Português
O histórico dirigente do Partido Comunista Português Carlos Brito faleceu no hospital de Faro, confirmou à Lusa o médico e seu amigo pessoal Paulo Fidalgo.
Paulo Fidalgo, que foi um dos fundadores do Movimento Renovação Comunista, adiantou que Carlos Brito esteve internado no hospital de Faro recentemente devido a uma infeção respiratória e teve alta hospitalar na passada segunda-feira, já recuperado.
“Inesperadamente” morreu esta tarde na sua casa de Alcoutim, disse Paulo Fidalgo.
Carlos Brito nasceu em Moçambique em 1933 e foi militante do PCP durante 48 anos, como funcionário, membro do Comité Central, líder parlamentar, director do jornal “Avante!” e candidato à Presidência da República.
Durante a ditadura, Carlos Brito passou dez anos na clandestinidade e oito anos na prisão. A seguir ao 25 de Abril esteve 16 anos na Assembleia da República, 15 dos quais como líder do grupo parlamentar.
Saiu “desolado” do parlamento em 1991 por não ter sido eleito pelo círculo de Faro. À altura da sua saída, tinha o recorde de “longevidade” no parlamento, desde a Assembleia Constituinte.
Em 1980 concorreu às presidenciais contra Ramalho Eanes e Soares Carneiro, desistindo à boca das urnas. Uma permanência de 33 anos no Comité Central terminaram em Novembro de 2000, quando Carlos Brito renunciou ao lugar em desacordo com as orientações do XVI Congresso. Em Março de 2000, já tinha escrito uma carta à direcção onde expressava preocupação com o rumo do partido.
Carlos Brito esteve entre os dirigentes que reclamaram um congresso extraordinário após a derrota eleitoral do PCP nas autárquicas de 2001. No seguimento da luta interna que opôs os chamados “renovadores” aos defensores da ortodoxia do partido, Carlos Brito foi suspenso do PCP em 2002 por 10 meses. A sanção disciplinar foi decidida pelo Secretariado do partido, entre várias expulsões de críticos da direção, entre os quais Edgar Correia, já falecido, e Carlos Luís Figueira, que viriam a formalizar alguns anos depois a associação política Renovação Comunista.
Desde 1996 que Carlos Brito evidenciou vontade de se afastar de cargos dirigentes, primeiro ao recusar integrar a Comissão Política em 1996 e depois saindo da direção do “Avante!”, em 1998.
Era casado, teve duas filhas, e estava retirado em Alcoutim, no Algarve, local de origem da sua família. Dedicou-se durante muitos anos escrever poesia, ficção e a participar no movimento associativo para o desenvolvimento regional.
Leia também:














