As gentes de Loulé voltam a cumprir, este domingo, 4 de maio, uma tradição enraizada há séculos: a Festa Grande da Mãe Soberana, uma das mais marcantes expressões religiosas do Algarve, integrada no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
O evento faz parte do Culto a Nossa Senhora da Piedade de Loulé, também conhecida como Mãe Soberana dos Louletanos, uma prática religiosa com raízes no século XVI, que evoluiu ao longo do tempo, mas que continua a marcar fortemente a identidade local.
Segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, “o Culto a Nossa Senhora da Piedade de Loulé – Mãe Soberana dos Louletanos consiste num conjunto de práticas religiosas, inseridas no âmbito doutrinário da Igreja Católica, em redor da veneração a Nossa Senhora da Piedade. Esta tradição tem expressão em Loulé desde, pelo menos, o século XVI, sofrendo alterações ao longo dos tempos”.
Durante a maior parte do ano, a imagem sagrada permanece na ermida do século XVI, localizada no Cerro da Piedade, à entrada sudoeste da cidade. Este espaço integra um santuário mais amplo, construído ao longo do século XX, que inclui uma igreja moderna, uma casa das velas e estruturas de apoio aos fiéis.
Apesar da forte componente religiosa, o culto assume igualmente uma dimensão social e cultural, expressa na devoção quotidiana dos fiéis e nos momentos altos das festividades anuais. A tradição atinge o seu auge durante as festas pascais, especialmente na chamada Festa Grande, que se realiza no terceiro domingo de Páscoa.
Antes disso, no Domingo de Páscoa, tem lugar a Festa Pequena, durante a qual a imagem é transportada, aos ombros de oito dos dez Homens do Andor, até à Igreja de São Francisco, onde permanece quinze dias. Durante este período, decorrem missas temáticas, momentos musicais e atividades comunitárias, reforçando os laços entre a fé e a cultura local.
A Festa Grande decorre ao longo de todo o dia e culmina com o regresso da imagem à ermida, num cortejo de grande intensidade emocional e simbólica, marcado pela devoção popular. A procissão, conduzida pelos Homens do Andor, é acompanhada por milhares de fiéis, num ambiente de profunda espiritualidade.
Esta manifestação, que envolve todas as gerações e atravessa diferentes classes sociais, é uma parte essencial da identidade louletana. Apesar da sua raiz eclesiástica, a celebração incorpora elementos profanos que lhe conferem um carácter distintivo, misturando religiosidade, cultura e tradição popular.
O processo de inscrição do “Culto a Nossa Senhora da Piedade de Loulé” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, foi efetuado por iniciativa da Paróquia de São Sebastião de Loulé eficou concluído pela ex-Direção-Geral do Património Cultural em 3 de agosto de 2020.
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