A escritora Lídia Jorge apelou esta terça-feira à vigilância sobre a Inteligência Artificial (IA), defendendo o “pensamento autónomo e singular”, durante a sua intervenção na cerimónia de entrega do Prémio Pessoa 2025, em Lisboa, distinção de que é vencedora.
Para a autora do romance “Misericórdia” (2022), “no mundo de hoje, decomposto, à beira do estado de alucinação”, a linguagem, a Poética e o pensamento assumem um papel determinante, tal como a necessidade de atenção crítica ao poder das máquinas e à falsidade difícil de desmontar.
“A IA generativa imita, e a imitação pode passar por uma invenção emotiva saída de uma entidade que não experimenta emoção”, afirmou. A IA “não tem nem aflição, nem espanto, nem dor, nem raiva, nem alegria, nem pranto”, apenas “fornece linguagem como se os tivesse”.
Um “corte epistemológico” entre criador e criatura
Assiste-se assim, defendeu a escritora numa intervenção em que evocou a importância de Fernando Pessoa, da sua obra e dos seus heterónimos, “a um corte epistemológico entre o criador e a criatura”.
Por isso, para Lídia Jorge, “em nome do futuro, convém ficar vigilante”.
“Provavelmente, estaremos à beira de obter benefícios fantásticos para as nossas vidas, mas convém perceber se o nosso pensamento autónomo e singular não será aniquilado de todo, no meio da inundação de benefícios. A nossa esperança é de que a linguagem, que na mitologia cristã nos funda como início, não tenha fim enquanto formos donos dela”, advertiu.
Elogio ao Presidente da República
No início do seu discurso, Lídia Jorge, que desde 2021 é conselheira de Estado, agradeceu a presença do Presidente da República na cerimónia, que considerou um presente a si mesma.
Dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou: “Chamam-lhe o Presidente dos afetos, mas é pouco. O senhor foi e continua a ser o Presidente que soube explicar a engrenagem da Democracia ao povo. E esse é um legado extraordinário”.
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