Saúl Rosa, porta-voz da Estrutura Distrital do PAN e membro da Comissão Nacional do partido, anunciou publicamente o seu apoio pessoal a António José Seguro nas eleições presidenciais, esclarecendo que respeita a decisão do PAN de não apoiar formalmente qualquer candidatura na primeira volta e que esta tomada de posição não vincula o partido nem qualquer uma das suas estruturas.
Na publicação, Saúl Rosa sustenta que “a responsabilidade cívica individual não se esgota na neutralidade quando estão em causa escolhas estruturantes para a República”, justificando a opção por apoiar António José Seguro. O responsável considera que o antigo líder socialista apresenta um perfil sólido para o exercício da Presidência da República, num contexto marcado pela fragmentação política, desgaste institucional e normalização de discursos extremados, destacando o respeito pela Constituição e a compreensão dos limites de cada poder, incluindo o presidencial.
Fundamentação do apoio a António José Seguro
O porta-voz distrital do PAN sublinha ainda a preocupação de António José Seguro com os direitos humanos e a justiça social, referindo como elemento adicional na sua avaliação o facto de o candidato ter sido um opositor firme de José Sócrates. O texto valoriza igualmente o reconhecimento público feito por Seguro, em debates e entrevistas, da centralidade do combate à violência doméstica, tema que Saúl Rosa descreve como prioridade estrutural num Estado democrático.
Nesse âmbito, Saúl Rosa refere que António José Seguro sublinhou tratar-se de uma violação grave de direitos fundamentais que exige uma resposta política, institucional e cultural, tendo reconhecido explicitamente o papel do PAN na afirmação desta causa como prioridade política, elogiando a persistência do partido na defesa das vítimas e no reforço dos mecanismos de prevenção, proteção e responsabilização.
Avaliação crítica das restantes candidaturas
A tomada de posição inclui igualmente uma apreciação crítica a outras candidaturas com maior probabilidade de vitória ou de passagem a uma segunda volta. Sobre Gouveia e Melo, Saúl Rosa reconhece “o impacto da sua atuação operacional durante a pandemia, mas considera que o seu percurso técnico e militar não se adequa a um cargo civil que exige mediação democrática e leitura política plural”. Acrescenta que, no atual contexto geopolítico, seria um erro estratégico eleger alguém sem experiência política, apontando mudanças de posição e declarações passadas sobre a possibilidade de entrar na política como fatores que, no seu entendimento, introduzem instabilidade na candidatura.
Relativamente a Marques Mendes, o porta-voz distrital do PAN caracteriza-o como “representante de uma elite política com alegadas proximidades recorrentes a interesses instalados e com relações pouco claras com centros de poder económico, referindo circuitos de influência associados a Angola e a grupos empresariais que têm suscitado dúvidas no espaço público”. Saúl Rosa sustenta que “essas zonas de opacidade fragilizam a autoridade ética exigida a um Presidente da República” e acrescenta que a visibilidade mediática do candidato surge como tentativa de replicar o percurso de Marcelo Rebelo de Sousa, utilizando a exposição televisiva como via de acesso ao cargo.
Quanto a Cotrim de Figueiredo, Saúl Rosa critica “uma visão que considera redutora da democracia, por subordinar a vida coletiva a uma lógica economicista e mercantil, e por assentar numa conceção minimalista do Estado”, acrescentando como fator de reserva a declaração do candidato de que poderia apoiar André Ventura numa segunda volta, descrevendo essa possibilidade como “uma linha vermelha”.
Em relação a André Ventura, Saúl Rosa afirma que “o candidato constitui um risco sério para a democracia constitucional”, referindo condenações e decisões judiciais desfavoráveis associadas ao seu discurso público. Sustenta que a provocação e a exclusão são parte central do seu método político e acrescenta que, apesar da retórica anti-elitista, Ventura depende de interesses económicos e financiadores dessa mesma elite, interpretando essa dinâmica como uma forma de captura do sistema por elites, ainda que mais agressiva e menos sofisticada.
Na conclusão, Saúl Rosa reafirma que “o apoio a António José Seguro resulta de uma avaliação exigente do que considera necessário num Presidente da República, apontando sobriedade, maturidade democrática, sensibilidade social, independência ética e respeito profundo pela Constituição”.
Defende ainda que “Seguro é o único candidato com capacidade real para agregar todo o centro esquerda numa segunda volta, sem exclusões nem radicalismos, e simultaneamente dialogar com eleitores do centro e do centro direita democrática, sem complexos e sem cedências ao populismo, considerando essa convergência decisiva para a estabilidade política e institucional do país”.
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