A linha ferroviária do Algarve vai entrar numa nova fase a partir de 19 de julho, data em que toda a ligação entre Vila Real de Santo António e Lagos passará a ser assegurada por comboios elétricos. A principal novidade será o fim do transbordo obrigatório em Faro, permitindo pela primeira vez em cerca de 25 anos realizar a viagem entre as duas extremidades da região sem mudar de comboio.
De acordo com o jornal Público, esta alteração será acompanhada por um reforço da oferta da CP, que aumentará o número de circulações diárias de 12 para 16 em cada sentido, tornando o serviço mais frequente e mais direto.
Mais ligações e viagens mais rápidas
Além da eliminação do transbordo, os passageiros deverão beneficiar de uma redução dos tempos de viagem. O percurso completo entre Vila Real de Santo António e Lagos passará de cerca de 3:09 h para aproximadamente 2:39 h.
Parte desse ganho resulta do desaparecimento da mudança de comboio em Faro, mas também da utilização das Unidades Triplas Elétricas, que apresentam melhor aceleração e travagem do que as atuais automotoras a diesel. Segundo a mesma fonte, a redução será particularmente visível entre Faro e Lagos, onde a duração da viagem deverá baixar de cerca de 1:50 h para perto de 1:30 h.
Surge um novo serviço inter-regional
A reformulação da oferta inclui ainda um serviço inter-regional em cada sentido. Este novo comboio fará menos paragens e permitirá ligar Vila Real de Santo António a Lagos em cerca de 2:16 h, enquanto no sentido inverso o percurso deverá demorar aproximadamente 2:20 h.
Apesar da melhoria, escreve o jornal, o tempo continua apenas cerca de 10 minutos abaixo do registado em meados da década de 1990, refletindo as limitações da infraestrutura ferroviária algarvia.
Horários continuam a ser alvo de críticas
A eletrificação integral não será acompanhada por um alargamento do horário diário da linha. O último comboio continuará a sair relativamente cedo, partindo de Vila Real de Santo António às 20:34 h e de Lagos às 20:22 h.
Esta situação mantém uma das críticas mais frequentes dos utilizadores, sobretudo durante o verão, quando muitos defendem a existência de ligações noturnas para responder às necessidades de residentes e turistas.
Intercidades continuam sem chegar ao extremo do Algarve
Apesar da modernização da linha, os comboios Intercidades e Alfa Pendular não serão prolongados até Vila Real de Santo António. Conforme a mesma fonte, as pontes metálicas de Faro, Tavira e Almargem não foram reforçadas durante as obras e continuam sem capacidade para suportar composições com locomotiva.
A Infraestruturas de Portugal prevê lançar, nas próximas semanas, o concurso para substituir essas estruturas, condição considerada essencial para permitir futuras ligações de longo curso ao Sotavento Algarvio.
Novos comboios, mas não são novos
Com a entrada em funcionamento da tração elétrica, as conhecidas automotoras azuis a diesel deixam de circular na região. No seu lugar surgirão os tradicionais comboios elétricos amarelos da CP.
Estas unidades foram construídas pela Sorefame durante a década de 1970 e modernizadas no início dos anos 2000. Acrescenta a publicação que continuam a ser consideradas das composições mais fiáveis da frota e são conhecidas pelo desempenho do sistema de ar condicionado, uma característica relevante durante os meses de verão no Algarve.
Modernização que fica incompleta
As automotoras diesel retiradas do Algarve serão redistribuídas para reforçar a operação ferroviária no Oeste e no Alentejo, onde têm existido dificuldades devido à escassez de material circulante.
Embora a eletrificação represente um avanço importante, a intervenção ficou longe de transformar profundamente a linha. A infraestrutura mantém praticamente o mesmo traçado, continua em via única ao longo de 141 quilómetros e sem duplicação do troço entre Tunes e Faro. Assim, apesar das viagens passarem a ser mais rápidas, diretas e menos poluentes, o futuro da ferrovia algarvia continuará dependente de novos investimentos.
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