A cidade de Faro, capital do distrito e principal centro administrativo do Algarve, nem sempre teve o nome pelo qual hoje é conhecida. A história do principal centro urbano algarvio atravessa séculos de ocupações, transformações políticas e mudanças de identidade, num percurso que ajuda a explicar o peso histórico da cidade no sul do país.
De acordo com o portal da União das Freguesias de Faro, as origens da cidade remontam ao século VIII antes de Cristo, durante o período da colonização fenícia do Mediterrâneo Ocidental. Nessa altura, o território integrava um sistema comercial baseado na troca de produtos agrícolas, peixe e minérios, graças à proximidade da costa e às rotas marítimas que cruzavam a região.
Quando Faro era Ossónoba
Durante a Antiguidade, Ossónoba consolidou-se como um dos núcleos mais relevantes do sul da Península Ibérica. A localização estratégica permitiu-lhe crescer como entreposto comercial e ponto de ligação entre diferentes civilizações.
Entre os séculos III antes de Cristo e IV depois de Cristo, Ossónoba integrou a província romana da Lusitânia e assumiu grande importância regional. Escavações arqueológicas no largo da Sé revelaram vestígios do fórum e do templo romano, e a cidade terá chegado a cunhar moeda.
Com a desagregação do Império Romano, Ossónoba integrou o Reino Visigótico e, já cristianizada, passou a designar-se Santa Maria de Ossónoba. Mais tarde, com a presença islâmica no território, a cidade ganhou nova designação.
Durante o período islâmico, a antiga Ossónoba viu o nome evoluir para Santa Maria Ibn Harun, associado à dinastia Banu Harun e à Taifa de Santa Maria do al-Gharb. O projeto Caminhos da Fé, ligado ao Turismo de Portugal, também refere que esta designação acabaria por estar na origem do atual nome da cidade.
Foi também durante o período muçulmano que a cidade reforçou a sua estrutura defensiva, com muralhas que ainda hoje marcam parte do centro histórico. O projeto Caminhos da Fé refere que o traçado urbano atual permite perceber o perímetro das muralhas que protegiam a antiga urbe, no núcleo hoje conhecido como Vila-Adentro, e associa a primeira ideia de proteção desse núcleo a Ben Bekr, príncipe muçulmano do século IX. Com a consolidação do Reino de Portugal, após 1143, começou a expansão para sul. A reconquista definitiva da cidade aconteceu em 1249, durante o reinado de D. Afonso III.
Novo nome para uma nova era
Após a conquista cristã, Faro voltou a mudar de nome. A União das Freguesias de Faro refere que a cidade passou a ser identificada como Santa Maria de Faaron, topónimo que, ao longo dos séculos, evoluiu para Farom, Farão e, finalmente, Faro.
A partir daí, a cidade ganhou novo impulso económico. A sua posição costeira transformou-a num ponto importante para o comércio de sal e produtos agrícolas, em particular frutos secos, sobretudo durante o período dos Descobrimentos.
Entre guerras e crescimento
Nos séculos XVII e XVIII, Faro conheceu nova expansão urbana. Durante a Guerra da Restauração, a cidade recebeu uma nova cintura defensiva. De acordo com a ficha do Património Cultural sobre a muralha seiscentista de Faro, foi em 1660, nos últimos anos da Guerra da Restauração, que o governador militar do Algarve, Martim Correia da Silva, ordenou a construção de uma cerca muralhada em torno da cidade, para a proteger de eventuais ataques espanhóis pelo lado de terra.
Esse crescimento acompanhou o reforço da atividade comercial e a valorização da ligação à ria, que continuava a ser central para a economia local.
A porta aérea para o Algarve
Já no século XX, Faro entrou numa nova fase com a inauguração do aeroporto internacional, em 1965. Esse momento marcou uma viragem no posicionamento da cidade, que passou a ser uma das principais portas de entrada para o turismo na região.
A inauguração do Aeroporto Internacional abriu uma nova era na economia regional. A VINCI Airports, atual concessionária, indica que o Aeroporto de Faro ultrapassou 10,3 milhões de passageiros em 2025, confirmando o peso da infraestrutura na ligação do Algarve ao exterior.
Com o aumento da procura turística nas últimas décadas, o aeroporto tornou-se um dos mais movimentados do país, servindo não apenas o Algarve, mas também visitantes com destino a zonas próximas do sul de Espanha.
Cidade que existe hoje
Atualmente, Faro é sede de distrito e concentra serviços administrativos, culturais e académicos. A Universidade do Algarve, criada em 1979, tornou-se um dos seus principais motores de desenvolvimento, sobretudo em áreas ligadas ao mar, ao turismo, à investigação e à inovação.
A cidade mantém também uma forte relação com a Ria Formosa. Segundo o ICNF, o Parque Natural da Ria Formosa está situado no sotavento algarvio e assenta numa importante zona lagunar. A área protegida abrange concelhos como Faro, Loulé, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, moldando a paisagem e a vida local.
Da antiga Ossónoba à Santa Maria Ibn Harun, de Santa Maria de Faaron a Faro, a cidade mudou de nome, de poderes e de funções. Mas nunca perdeu a importância estratégica no sul do país.
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