O areal de Cacela Velha voltou a destacar-se entre os destinos de verão em Portugal ao surgir na segunda posição de um ranking das melhores praias do país. No entanto, apesar do reconhecimento, as autoridades insistem que aquela zona não é uma praia oficial e desaconselham a prática balnear devido aos riscos associados à travessia da ria e à inexistência de vigilância permanente.
A distinção foi atribuída pela plataforma Holidu, que analisou as classificações dos utilizadores no Google Maps. Contas feitas, Cacela Velha recebeu uma pontuação de 4,8 em cinco, ficando apenas atrás da Praia da Adraga, em Sintra, e à frente da Praia da Ursa, também naquele concelho.
Lugar muito procurado, mas sem estatuto de praia
O reconhecimento da plataforma contrasta com os sucessivos avisos emitidos pelas entidades responsáveis pela segurança naquela zona do sotavento algarvio. Nos últimos anos, o Serviço Municipal de Proteção Civil de Vila Real de Santo António e a Autoridade Marítima Nacional têm vindo a sensibilizar residentes e turistas.
A recomendação das autoridades é clara: aquele percurso deve ser evitado, sobretudo durante a maré vazante, quando as correntes se tornam mais fortes e imprevisíveis.
Perigo começa antes de chegar ao areal
Segundo a autarquia, muitas pessoas atravessam diariamente a ria para alcançar o areal, sem terem consciência das dificuldades que podem encontrar no regresso. A ausência de um acesso oficial e a alteração constante das marés aumentam significativamente o risco de acidentes.
Os alertas não surgem por acaso. A travessia a pé tem originado diversas operações de socorro ao longo dos últimos anos. No último verão, dezenas de pessoas tiveram de ser resgatadas pelas equipas do projeto SeaWatch.
Há alternativas mais seguras nas proximidades
A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António recorda que as ilhas barreira em frente a Cacela Velha “não são uma unidade balnear e, como tal, não dispõem de nadadores-salvadores nem de assistência a banhistas”. Acrescenta ainda que, apesar do trabalho desenvolvido pelas equipas móveis do Instituto de Socorros a Náufragos e pelo projeto SeaWatch, o socorro pode não chegar em tempo útil caso ocorra uma emergência.
Por esse motivo, os visitantes são aconselhados a optar por praias oficialmente vigiadas, como a Praia da Fábrica ou a Praia da Manta Rota, ambas equipadas com nadadores-salvadores, acessos adequados e estacionamento.















