O presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, Álvaro Araújo, apelou ao Governo para que adote medidas urgentes destinadas a reforçar a segurança rodoviária na Estrada Nacional 125 (EN125), na sequência de um acidente que provocou uma vítima mortal.
“Continuam a perder-se vidas em acidentes nos cruzamentos mais perigosos do meu concelho e nós não podemos permitir isso. Desde que cheguei ao município, em 2021, que exigimos medidas aos diferentes governos e nada se faz. É urgente resolver este problema”, afirmou Álvaro Araújo à Lusa.
O acidente ocorreu no dia 7 de setembro, num cruzamento situado ao quilómetro 146 da EN125, que dá acesso a Vila Nova de Cacela e à Manta Rota, no concelho de Vila Real de Santo António. A colisão provocou a morte de um homem que circulava num ciclomotor.
Referindo-se à vítima e à perigosidade dos cruzamentos existentes naquele troço, o autarca afirmou: “A morte do senhor Carlos, que toda a gente conhecia na zona, sensibilizou-me, e espero que o exemplo dele sirva para não haver mais mortes naquele local e naqueles cruzamentos. É preciso dizer basta”. Álvaro Araújo referia-se a zonas onde a EN125 converge, nos dois sentidos, com estradas municipais e que considera particularmente expostas à sinistralidade.
Obras condicionadas por diferendo entre IP e subconcessionária
A construção de rotundas nos pontos mais perigosos do troço Olhão-Vila Real de Santo António, quatro delas na freguesia de Vila Nova de Cacela, está prevista no plano de requalificação da EN125, mas as obras estão bloqueadas devido a um diferendo judicial entre Infraestruturas de Portugal (IP) e a subconcessionária Rotas do Algarve Litoral (RAL), que se prolonga desde 2019. A própria IP confirma que a RAL iniciou um processo arbitral contra a empresa em setembro de 2019.
Em 2023, o Governo, então liderado por António Costa, abriu uma exceção e autorizou a IP a negociar com a subconcessionária para assumir a construção da variante de Olhão à EN125, uma das obras inseridas naquele plano, que foi entretanto concluída, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, e inaugurada em maio. A Infraestruturas de Portugal confirma que a variante entrou ao serviço em 12 de maio de 2026, após um investimento de 14,4 milhões de euros financiado pelo PRR.
Criticando a falta de coragem do Governo nesta matéria, o autarca eleito pelo PS responsabilizou diretamente o Estado e os governantes que têm assumido funções no setor pelas mortes que ocorrem na EN125.
“São esses senhores os responsáveis. Quando estamos no poder, temos de fazer tudo para resolver os problemas. Mas estas pessoas que têm passado pelo Governo e por esta pasta não fizeram ainda nada para resolver este problema. Nem é uma questão de partidos, hoje é o PSD [a governar], mas quando foi o PS também critiquei”, referiu.
O autarca considerou estar “de mãos atadas”, por não estar envolvido diretamente no processo jurídico, e salientou que o Governo “é que pode tomar uma decisão” em vez de “deixar tudo para quem vem a seguir”.
“A desculpa é sempre a de que, enquanto o diferendo persistir, as obras não se podem realizar. Será assim tão complicado sentar à mesa com a RAL e resolver o problema?”, questionou, pedindo bom senso a todos os envolvidos.
Município disponível para avançar com rotundas
Álvaro Araújo, que falou sobre o tema com o ministro das Infraestruturas e Habitação Miguel Pinto Luz quando este tomou posse pela primeira vez, em abril de 2024, já pediu nova reunião com o detentor da pasta.
O autarca disse à Lusa que o município está disponível para construir as rotundas previstas para o concelho, nomeadamente a do cruzamento da Nora, que dá acesso a Santa Rita (quilómetro 144), para a qual já tinha arranjado financiamento, com o apoio de privados.
“Será que tenho de ir para a rua, partir a estrada, fazer uma rotunda à revelia e depois querem-me levar para a cadeia? […] Aquilo que nós exigimos é que haja uma decisão: que nos deixem fazer as obras ou que resolvam o problema, de uma vez por todas”, concluiu.
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