Os aeroportos portugueses estão a reforçar os meios de controlo de fronteiras numa altura de forte pressão sobre o sistema, sobretudo com a aproximação do verão e o aumento do número de passageiros. De acordo com o Expresso, Faro e Lisboa receberam mais espaço operacional, mais máquinas automáticas e reforço policial para tentar reduzir os tempos de espera nas chegadas e partidas internacionais.
No Algarve, o Aeroporto Gago Coutinho surge entre as infraestruturas mais acompanhadas pelas autoridades, devido ao elevado fluxo de passageiros vindos do Reino Unido. Segundo a mesma fonte, a próxima semana será decisiva para perceber se o aumento dos meios consegue responder à procura prevista para junho.
Faro ganha mais espaço no controlo de fronteiras
O Aeroporto de Faro passou por um reforço significativo da área dedicada ao controlo de fronteiras. Escreve o jornal que, nas chegadas, o número de guichês aumentou de 16 para 23 e o de e-gates passou de 8 para 18.
Nas partidas, acrescenta a publicação, o aeroporto algarvio passou de 10 para 13 boxes de controlo manual e de 8 para 12 e-gates. A expansão representa cerca de 40% de área adicional dedicada a este processo.
Algarve preocupa setor do turismo
A pressão sobre Faro está ligada ao peso do turismo internacional na região. O aeroporto é um dos principais pontos de entrada de turistas britânicos em Portugal, o que aumenta a preocupação com o impacto das filas na operação turística.
As dificuldades verificadas nos últimos meses nos controlos de fronteira têm provocado apreensão entre companhias aéreas, concessionárias e entidades ligadas ao setor. Refere a mesma fonte que os atrasos e perdas de voos têm criado perturbações operacionais e danos reputacionais para o país.
Mais polícia começa a chegar esta sexta-feira
O reforço operacional inclui também mais agentes da PSP nos aeroportos nacionais. Escreve o jornal que 48 novos polícias entram já esta sexta-feira, 29 de maio, em funções no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
Segundo a mesma fonte, até julho deverão juntar-se mais 360 agentes especializados em controlo de fronteiras, depois de concluírem formação específica na Escola Prática de Polícia.
Governo mantém recolha biométrica
Apesar da pressão para aliviar os tempos de espera, o Governo mantém para já o sistema europeu de recolha biométrica nos aeroportos. O Ministério da Administração Interna considera que a segurança nas fronteiras deve continuar a ser tratada “com a maior seriedade”.
Fonte oficial do gabinete do diretor nacional da PSP, Luís Neves, citada pelo jornal, refere que o controlo rigoroso é essencial para garantir a liberdade de circulação dentro do espaço Schengen.
Sistema europeu continua sob pressão
O novo Sistema Europeu de Entrada e Saída, conhecido como EES, continua no centro das dificuldades sentidas nos aeroportos europeus. Acrescenta a publicação que Bruxelas não dá sinais de querer suspender o mecanismo, apesar de reconhecer dificuldades de adaptação em vários países. Portugal já suspendeu temporariamente a recolha de dados biométricos em momentos específicos e poderá voltar a fazê-lo. Essa decisão cabe à PSP enquanto autoridade responsável pelo controlo de fronteiras.
Em Lisboa, as obras realizadas pela ANA permitiram aumentar significativamente os meios disponíveis no controlo de fronteiras. Escreve o jornal que o número de boxes de entrada passou de 18 para 34. Já os e-gates cresceram de 18 para 32 nas chegadas. A ANA decidiu ainda manter uma área adicional utilizada durante as obras para aumentar a capacidade operacional do aeroporto da capital.
Próximos dias serão decisivos
O setor acompanha com expectativa o arranque de junho, mês em que tradicionalmente aumenta o fluxo de passageiros. Segundo o Expresso, a situação poderá tornar-se ainda mais sensível devido à greve geral marcada para 3 de junho. Controladores aéreos, tripulantes de cabine e trabalhadores do handling deverão aderir à paralisação, aumentando a pressão sobre o funcionamento dos aeroportos nacionais. Acrescenta a mesma fonte que os próximos dias serão determinantes para avaliar se os reforços implementados conseguem melhorar a fluidez no controlo de fronteiras.
Apesar do aumento de espaço e equipamentos, várias entidades admitem que as dificuldades não dependem apenas da capacidade física dos aeroportos. Continuam a existir limitações ligadas a software, sistemas informáticos e falta de recursos humanos. Por isso, o verdadeiro impacto das novas medidas só deverá ser percebido após vários dias de operação com maior afluência de passageiros, sobretudo em Faro e Lisboa, os aeroportos mais pressionados nesta fase do ano.
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