À primeira vista, pode parecer apenas uma solução improvisada ou até uma decoração estranha. Mas os garfos espetados em vasos e canteiros são usados por algumas pessoas como uma barreira simples para tentar impedir que gatos mexam na terra, escavem junto às plantas ou usem os vasos como ‘casa de banho’. A prática é referida por especialistas em jardinagem da Oregon State University Extension Service, que apontam os garfos ou pequenas estacas como uma forma de dificultar a passagem e a escavação dos animais entre as plantas.
O objetivo principal é criar obstáculos no solo. Quando os garfos são colocados com os dentes virados para cima, entre as plantas, tornam a superfície menos confortável para os gatos caminharem, se deitarem ou escavarem. A horticultora Brooke Edmunds, da Oregon State University Extension Service, explica que redes, pinhas, arame de galinheiro, estacas finas de bambu ou garfos colocados entre as plantas podem ajudar a afastar gatos de zonas específicas do jardim.
Este truque dos garfos espetados é sobretudo usado em vasos, hortas pequenas e canteiros acabados de plantar, onde a terra solta pode atrair gatos para escavar. A Cats Protection, organização britânica dedicada ao bem-estar dos gatos, lembra que estes animais tendem a fazer as necessidades em jardins, especialmente em zonas de terra recentemente mexida, como canteiros e áreas preparadas para plantação.
Este método funciona sempre?
Não há garantia de que resulte em todos os casos. A própria fonte sublinha que, quando se fala em afastar gatos do jardim, “não há uma única solução” e que o resultado depende do espaço, do comportamento do animal e daquilo que o atrai àquele local. Por isso, os garfos espetados podem ajudar em alguns casos, mas não devem ser vistos como uma resposta definitiva.
A Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), organização britânica de proteção animal, recomenda métodos seguros e humanos para desencorajar gatos a entrar no jardim, como não deixar comida disponível, usar plantas densas ou espinhosas, colocar pequenos seixos ou cascalho e dificultar a entrada através de vedações adequadas. A mesma fonte reforça que qualquer método usado deve evitar causar sofrimento ao animal.
Cuidados a ter antes de experimentar
Se optar por usar garfos, o adequado pode ser garantir que ficam bem visíveis e colocados de forma a não ferir pessoas, crianças, animais de companhia ou fauna selvagem. A Oregon State University Extension Service aconselha que os garfos ou estacas fiquem a sair da terra, precisamente para evitar que alguém coloque a mão no vaso sem os ver e se magoe.
Também convém evitar soluções perigosas, cruéis ou com produtos não licenciados. A RSPCA lembra que os gatos são protegidos por lei no Reino Unido e alerta que causar sofrimento desnecessário a um gato constitui uma infração, acrescentando que armadilhas, venenos ou dissuasores não autorizados não devem ser utilizados. Embora a legislação varie de país para país, a orientação de bem-estar animal é clara: qualquer método deve ser preventivo, seguro e não agressivo.
Alternativas que existem aos garfos espetados
Uma das alternativas mais simples passa por cobrir a terra com materiais que os gatos não gostem de pisar ou escavar. A Cats Protection sugere o uso de cascas de ovo partidas, pedras e seixos nos canteiros, bem como pequenos ramos ou obstáculos entre as plantas, para tornar a área menos apelativa sem magoar os animais.
A RSPCA Austrália também recomenda alterar o jardim para reduzir o interesse dos gatos, usando plantas espinhosas ou de cheiro intenso, como lavanda, erva-príncipe, gerânios, alecrim ou arruda, além de cobrir canteiros com seixos, pinhas ou casca grossa, uma vez que alguns gatos preferem fazer as necessidades em terra solta.
Outra medida apontada pela RSPCA passa por manter os canteiros húmidos, já que alguns gatos não gostam de terra molhada. A organização também sugere aspersores ativados por movimento ou um ligeiro esguicho de água perto do animal, nunca diretamente contra ele, como forma de desencorajar a presença sem causar dano.
E se o problema for recorrente?
Quando a presença de gatos é frequente, as fontes consultadas recomendam perceber primeiro o que os atrai ao local. Pode ser comida deixada no exterior, abrigo, terra solta, plantas onde se deitam ou até zonas de passagem. A Oregon State University Extension Service aconselha a pensar “como um gato” e a perceber se o animal procura uma ‘casa de banho’, zona de caça, plantas para roçar ou simplesmente um caminho protegido.
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