As regras de bagagem das companhias aéreas low cost, como a Ryanair e a easyJet, continuam a gerar dúvidas entre os passageiros, sobretudo quando se tenta evitar taxas adicionais. Um novo teste realizado por especialistas veio agora pôr em causa alguns dos truques de arrumação mais populares nas redes sociais.
A associação de defesa do consumidor Which? analisou vários métodos de organização de roupa dentro de malas de cabine e concluiu que soluções como cubos de compressão ou sacos a vácuo não permitem, afinal, aproveitar melhor o espaço disponível, de acordo com o jornal britânico Daily Express.
Testes feitos com medidas reais das companhias
Tendo em conta que a Ryanair tem uma das franquias gratuitas mais reduzidas entre as companhias low cost, os testes foram realizados com malas que respeitavam exatamente as dimensões impostas pela transportadora irlandesa.
Foram utilizados dois modelos de mala para colocar debaixo do assento, com medidas de 40x25x25 centímetros: uma pequena mala com rodas da marca Travel Ready e um saco maleável da marca Kono, que se tornou popular nas redes sociais por ser considerado ideal para voos da Ryanair.
Além disso, foram testadas duas peças de bagagem de cabine de maiores dimensões, dentro dos limites pagos, incluindo uma mala rígida e uma mochila Cabin Max com 50x40x20 centímetros.
Cubos de compressão não convenceram
Apesar de frequentemente promovidos como produtos quase milagrosos, os cubos de compressão e os sacos a vácuo não corresponderam às expectativas. Segundo a associação, citada pela mesma fonte, as promessas de conseguir “arrumar mais em menos espaço” não se confirmaram na prática.
Nos testes realizados, a simples dobragem da roupa permitiu acomodar mais peças do que qualquer outro método. No total, foram colocadas 129 peças de vestuário nas quatro malas utilizando apenas a técnica de dobrar, ou seja, mais 16 peças do que com sacos a vácuo.
Os cubos de compressão, muitas vezes elogiados em vídeos no TikTok, ficaram também atrás do método tradicional. Permitiram organizar melhor, mas não aumentaram a capacidade total da mala. Ainda assim, revelaram-se úteis para preencher pequenos espaços com meias e peças de menor dimensão.
Dobrar demonstrou-se melhor do que enrolar
Outro resultado que contrariou a ideia mais difundida nas redes sociais prende-se com a técnica de enrolar a roupa. De acordo com os especialistas, dobrar permitiu encaixar ligeiramente mais peças do que enrolar.
A conclusão foi clara: o entusiasmo em torno de determinados produtos e técnicas não significa necessariamente maior eficiência. Em alguns casos, trata-se mais de organização visual do que de verdadeira poupança de espaço, de acordo com a mesma fonte.
Regras da Ryanair e da easyJet
Na Ryanair, todos os bilhetes incluem apenas uma pequena mala pessoal gratuita, como uma mochila ou mala de portátil, com dimensões máximas de 40 x20x25 centímetros, que deve caber debaixo do assento, sendo que qualquer volume superior implica o pagamento de taxa adicional.
Já a easyJet permite aos passageiros com tarifa standard transportar gratuitamente uma mala ligeiramente maior para colocar sob o assento, com dimensões até 45x36x20 centímetros, incluindo rodas e pegas.
Caso a bagagem ultrapasse os limites e não caiba no medidor no aeroporto, as taxas aplicadas no local podem ser significativamente superiores às cobradas no momento da reserva online, refere a mesma fonte.
Como evitar custos inesperados
Os especialistas aconselham os passageiros a verificarem cuidadosamente as dimensões permitidas antes de viajar e a planearem a arrumação de forma estratégica.
Mesmo alguns centímetros acima do permitido podem resultar em custos adicionais, refere ainda o Daily Express. Num contexto em que os preços base dos bilhetes são baixos, as taxas de bagagem continuam a ser uma das principais fontes de receita das companhias aéreas low cost como a Ryanair e a easyJet.
















