Um estudo sobre saúde vascular na meia-idade concluiu que não fumar, ter pressão arterial normal e não ter diabetes está associado a quase mais 13 anos de vida sem demência. A diferença foi observada entre pessoas avaliadas entre os 48 e os 68 anos com perfis de risco distintos.
De acordo com a Euronews, a investigação analisou dados de mais de 12.000 participantes e comparou a evolução de pessoas sem estes fatores de risco com a de outras que reuniam os três.
Os três fatores analisados
A primeira condição considerada foi a pressão arterial. Os participantes com valores normais integraram o grupo com melhor saúde vascular, enquanto a hipertensão foi contabilizada como um dos elementos associados a menos anos de vida sem demência.
O segundo fator foi a diabetes e o terceiro o tabagismo. Assim, o estudo não aponta uma fórmula para evitar a doença, mas identifica uma associação entre a ausência de diabetes, a pressão arterial normal e o facto de não fumar durante a meia-idade.
Diferença observada entre os grupos
Segundo a mesma fonte, as pessoas sem qualquer um dos três fatores de risco aos 55 anos viveram, em média, cerca de 30 anos sem desenvolver demência. Já quem apresentava os três registou pouco mais de 17 anos sem a doença.
A diferença entre os dois grupos aproxima-se dos 13 anos. Quem tinha apenas um dos fatores analisados obteve uma média de 26 anos sem demência, enquanto os participantes com dois fatores ficaram pelos 21 anos. Os números mostram, por isso, uma redução progressiva dos anos sem demência à medida que aumenta a acumulação de riscos vasculares.
Peso da saúde vascular na meia-idade
A Euronews refere que os participantes com hipertensão, diabetes e hábitos tabágicos enfrentaram um risco de desenvolver demência quase três vezes superior ao dos que não reuniam nenhum destes fatores. O resultado reforça a relação entre a saúde dos vasos sanguíneos e a saúde cerebral ao longo dos anos.
A investigação encontrou ainda diferenças entre mulheres e homens. Entre as pessoas com os três fatores de risco, as mulheres viveram, em média, 18 anos sem demência, enquanto os homens registaram 16 anos. Contudo, em ambos os casos, a ausência dos três elementos esteve associada a um período mais longo sem a doença.
Intervalo entre os 48 e os 68 anos
A idade analisada ajuda a explicar o foco na prevenção antes de surgirem sinais de declínio cognitivo. O estudo avaliou a presença destes fatores na meia-idade e não apenas numa fase mais avançada da vida, quando o risco de demência tende a ser maior.
Um dos investigadores citados pela publicação defende que estes fatores devem ser evitados nesta etapa da vida para preservar a saúde cerebral durante mais de uma década. “Esperamos que estes resultados incentivem as pessoas a deixar de fumar e a acompanhar de perto a saúde vascular a partir dos 48 anos”, afirmou.
O que os resultados permitem concluir
Os 13 anos referidos correspondem a uma diferença média entre grupos observados no estudo. Não significam que cada pessoa consiga adiar individualmente a demência pelo mesmo período, uma vez que o resultado está associado ao conjunto de fatores analisados e ao perfil de saúde de cada participante.
Ainda assim, a comparação mostra que o controlo dos riscos vasculares ganha relevância antes da velhice. Não fumar, manter a pressão arterial dentro de valores normais e prevenir ou acompanhar a diabetes são os três aspetos associados, nesta investigação, a mais anos de vida sem demência.
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