O consumo de bebidas estimulantes é uma prática comum para quem procura mais energia no início do dia ou durante períodos de maior exigência. O café e o chá são os protagonistas habituais, mas há outra bebida que começa a ganhar espaço, tanto pelos efeitos energéticos como pelos potenciais benefícios cardiovasculares.
De acordo com a Mayo Clinic, o chá mate, tradicional na América do Sul, contém cafeína e outros compostos bioativos que actuam no sistema nervoso central e no metabolismo energético, apresentando ainda efeitos antioxidantes com relevância clínica.
Origem e composição do chá mate
O chá mate é preparado a partir das folhas da planta Ilex paraguariensis, consumida em infusão quente ou fria. Segundo a mesma fonte, a bebida contém entre 70 e 90 mg de cafeína por porção, valores comparáveis aos de uma chávena de café.
Escreve a Harvard T.H. Chan School of Public Health que, além da cafeína, o mate fornece polifenóis, teobromina e saponinas, compostos que têm sido associados à redução do stress oxidativo e à regulação dos lípidos sanguíneos.
Estímulo com menor impacto na frequência cardíaca
Um estudo publicado no Journal of Functional Foods comparou os efeitos do chá mate e do café em voluntários saudáveis e concluiu que o mate proporciona aumento de atenção e estado de alerta com menor impacto na pressão arterial.
Refere a mesma fonte que os participantes que ingeriram chá mate relataram níveis sustentados de energia, sem os picos e quebras associados a outras bebidas com cafeína.
Acrescenta a publicação que a teobromina presente na bebida pode contribuir para um efeito vasodilatador moderado, facilitando o fluxo sanguíneo e reduzindo a resistência vascular periférica.
Potenciais efeitos sobre a saúde cardiovascular
Um outro ensaio clínico, divulgado no Clinical Nutrition Journal, avaliou o consumo regular de chá mate em indivíduos com colesterol elevado. Após 40 dias, os participantes apresentaram redução nos níveis de LDL (colesterol “mau”) e um ligeiro aumento no HDL (colesterol “bom”).
Segundo a mesma fonte, estes efeitos podem dever-se à presença de saponinas e flavonóides, que interferem com a absorção de gordura e promovem um perfil lipídico mais equilibrado.
Os investigadores sublinham que os efeitos são dependentes da dose e da frequência do consumo, sendo observados resultados mais consistentes com ingestões diárias superiores a 500 ml.
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Modos de consumo e precauções
O chá mate pode ser consumido como infusão tradicional, mas também existe em versões engarrafadas, em pó e cápsulas. Conforme a Harvard School of Public Health, a versão não açucarada é preferível para evitar picos glicémicos e ingestão calórica excessiva.
Apesar dos benefícios potenciais, o consumo excessivo de chá mate quente tem sido associado a maior risco de lesões no esófago, especialmente em contextos de uso prolongado e temperatura elevada. As autoridades de saúde recomendam que seja ingerido a uma temperatura inferior a 60ºC.
Equilíbrio e variedade continuam a ser a chave
A introdução do chá mate pode representar uma alternativa ao café ou ao chá verde, particularmente para quem procura variedade ou tem sensibilidade ao café tradicional.
Explica a Mayo Clinic que os efeitos estimulantes são mais suaves e prolongados, o que pode ser vantajoso em contextos de trabalho ou estudo prolongado.
O seu consumo está profundamente enraizado na cultura de países como Argentina, Uruguai e Brasil, mas tem vindo a ganhar popularidade na Europa e nos Estados Unidos como bebida funcional.
Conclusões dos estudos disponíveis
Apesar dos resultados positivos em estudos iniciais, os especialistas alertam que mais investigação será necessária para compreender os mecanismos de ação dos compostos do mate e os seus efeitos em diferentes populações.
Ainda assim, o conjunto de evidências disponíveis sugere que esta bebida pode ser considerada uma opção viável tanto do ponto de vista energético como cardiovascular.
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