Um médico italiano veio lançar um novo alerta sobre os riscos de beber água em garrafas de plástico. Matteo Bassetti, especialista em doenças infeciosas do Hospital San Martino, em Génova, afirma que este hábito diário pode levar-nos a ingerir, ao longo de uma semana, uma quantidade de microplásticos equivalente a uma cartão de crédito.
De acordo com o jornal espanhol AS, o alerta do professor Bassetti, amplamente partilhado nas redes sociais, volta a centrar a atenção num problema cada vez mais debatido: a presença de partículas de plástico em alimentos e bebidas consumidos diariamente. O médico sublinha que o perigo não está na origem da água, mas sim no recipiente onde é armazenada.
“Na maioria das vezes é a mesma água da torneira”
Segundo o especialista, o conteúdo de muitas garrafas de água de plástico não é tão “puro” como se pensa. “Em 64% dos casos, é a mesma água da torneira que temos em casa, talvez com um pequeno filtro que a torne mais apetecível”, explicou Bassetti. O verdadeiro problema, acrescenta, está na exposição prolongada do plástico ao calor e à luz.
Essas garrafas permanecem frequentemente guardadas durante um a cinco anos antes de chegarem às prateleiras, muitas vezes em armazéns ao sol. “Quando o plástico aquece, liberta partículas que acabam dentro da própria água”, alertou o médico, acrescentando que esse processo é quase inevitável, sobretudo no verão.
O impacto invisível dos microplásticos
As conclusões do especialista baseiam-se em estudos recentes que detetaram microplásticos em mais de 90% das amostras de água engarrafada analisadas em vários países. Segundo Bassetti, esses fragmentos microscópicos entram no organismo e podem provocar inflamações persistentes, com efeitos a longo prazo no sistema digestivo e imunológico.
O médico recorda que não se trata de alarmismo, mas de uma evidência científica cada vez mais clara. “Corremos o risco de beber, numa semana, o equivalente a um cartão de crédito em microplásticos”, afirmou.
O plástico e o calor: uma combinação perigosa
De acordo com a mesma fonte, a principal fonte de contaminação surge quando as garrafas são deixadas ao sol, dentro de automóveis ou em armazéns. As altas temperaturas aceleram a degradação do plástico, libertando substâncias que passam para a água. Mesmo quando não são visíveis, esses microfragmentos são absorvidos pelo organismo ao longo do tempo.
A Organização Mundial de Saúde tem vindo a alertar para a necessidade de reduzir o consumo de plásticos descartáveis, sobretudo em produtos alimentares e bebidas. A exposição constante a essas partículas pode ter efeitos cumulativos ainda pouco compreendidos.
O que se pode fazer para reduzir o risco
O professor Bassetti aconselha a substituir o plástico por vidro sempre que possível, tanto em casa como fora dela. “Não podemos evitar totalmente o uso de garrafas de plástico quando estamos na rua, mas não precisamos de as usar todos os dias da nossa vida”, defende.
Em casa, recomenda-se o uso de jarros de vidro ou garrafas reutilizáveis e o consumo de água da torneira filtrada, quando a qualidade local o permite. “O vidro é indiscutivelmente melhor do que o plástico, pois não liberta micropartículas que inflamam o organismo”, sublinha o especialista.
Um alerta que deve ser levado a sério
De acordo com o AS, estudos recentes confirmam que o consumo regular de água engarrafada aumenta a exposição a microplásticos. Embora as quantidades sejam minúsculas, o seu efeito acumulado ao longo de décadas preocupa cada vez mais os investigadores.
Bassetti conclui o seu apelo com uma reflexão simples: “A água é essencial à vida, mas o recipiente onde a guardamos pode estar a pôr a nossa saúde em risco. O problema não é o que bebemos, é onde o bebemos.”
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