O Algarve entra na época alta com sinais de forte procura turística e preços ainda estáveis, apesar do aumento dos custos de energia e da incerteza internacional. A Região de Turismo do Algarve (RTA) garante que, para já, não há subidas generalizadas no alojamento ou na animação turística, embora admita que esse cenário pode vir a alterar-se se a pressão económica continuar.
De acordo com o jornal Diário de Notícias, o presidente da RTA, André Gomes, afirma que o setor tem conseguido evitar aumentos no preço final ao consumidor, apesar da subida dos custos operacionais. “Não há um aumento de preços no Algarve face ao ano passado”, disse, explicando que esta estabilidade resulta do esforço dos empresários para manter a procura.
Segundo a mesma fonte, essa estratégia passa por absorver internamente os encargos adicionais, sobretudo ligados aos combustíveis. Ainda assim, o responsável admite que esta solução poderá não ser sustentável a médio prazo. “Os empresários estão a engolir os custos, mas mais tarde será inevitável uma subida”, referiu.
Procura em alta e crescimento sustentado
Apesar das pressões, a perspetiva para o verão mantém-se positiva. André Gomes afirma que o Algarve continua a registar um nível de reservas ligeiramente superior ao do ano passado e antecipa um crescimento moderado, sem aumentos abruptos na procura.
Conforme a mesma fonte, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, nos primeiros quatro meses do ano, a região recebeu 1,2 milhões de hóspedes e 4,4 milhões de dormidas, com crescimento também nos proveitos turísticos, que subiram 6,9% para 288 milhões de euros.
Transporte aéreo e mercados internacionais impulsionam região
O reforço da ligação aérea a Faro tem ajudado a sustentar a procura, com mais 400.000 lugares disponíveis este verão. Estão incluídas novas rotas para cidades, como Bucareste e Katowice, além do regresso de ligações transatlânticas.
André Gomes destaca ainda o crescimento dos mercados norte-americano e canadiano, sublinhando que a região continua a atrair visitantes internacionais, mesmo num contexto global instável. Também o mercado nacional mantém peso relevante, contrariando a ideia de uma eventual quebra de interesse dos portugueses pelo destino.
O responsável da RTA deixou críticas à falta de investimento da TAP em Faro, considerando “incompreensível” a ausência de reforço comparável ao observado noutras regiões do país. Ainda assim, reconhece como positivo o aumento de algumas ligações, nomeadamente a partir do Funchal.
Debate sobre praias acrescenta tensão ao setor
Mais recentemente, a discussão sobre a utilização de chapéus de sol em praias concessionadas gerou contestação entre entidades regionais e autoridades ambientais. A RTA considera que o tema cria ruído desnecessário num momento crítico para a atividade turística.
“Estamos a levantar problemas onde eles não existem”, afirmou André Gomes, defendendo que a prática sempre foi habitual e regulada localmente. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA), por sua vez, lembra que as praias são de uso público e que a ocupação por concessões está sujeita a limites definidos por lei.
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