Nos últimos anos, milhões de consumidores habituaram-se a recorrer a plataformas como a Temu, a Shein ou o AliExpress para adquirir produtos de todo o tipo a preços reduzidos. Entre roupa, acessórios e artigos para a casa, há também quem procure soluções para o verão, incluindo protetores solares. No entanto, uma investigação recente veio levantar dúvidas sobre a segurança de alguns destes produtos, alertando para riscos que podem passar despercebidos aos consumidores.
De acordo com a Cosmopolitan, publicação francesa especializada em moda, beleza e estilo de vida, a associação francesa de defesa dos consumidores UFC-Que Choisir decidiu analisar vários protetores solares comercializados através destas plataformas internacionais. O objetivo era verificar se os produtos cumpriam os requisitos de segurança e eficácia anunciados nas embalagens.
A popularidade destes marketplaces tem crescido de forma significativa nos últimos anos, muito por causa dos preços competitivos e da enorme variedade de artigos disponíveis. Apesar disso, os especialistas têm vindo a alertar para a importância de prestar atenção à origem dos produtos, sobretudo quando estão em causa artigos que entram em contacto direto com o corpo ou cuja função é proteger a saúde dos consumidores.
Ingredientes proibidos e proteção abaixo do anunciado
Para realizar a investigação, a UFC-Que Choisir adquiriu vários protetores solares disponíveis para compra nas três plataformas e submeteu-os a análises laboratoriais. Os resultados revelaram diferentes problemas relacionados tanto com a composição dos produtos como com a proteção efetivamente oferecida.
Entre as conclusões mais preocupantes está a deteção de um ingrediente proibido em três dos protetores analisados. Segundo a mesma fonte, trata-se de uma substância descrita pela associação como um desregulador endócrino, capaz de interagir com o sistema tiroideu e com os estrogénios.
As análises realizadas identificaram também discrepâncias entre o fator de proteção indicado pelos fabricantes e o desempenho real dos produtos. Em alguns casos, os resultados obtidos em laboratório ficaram muito aquém do esperado, comprometendo a principal função de um protetor solar: reduzir a exposição da pele à radiação ultravioleta.
A associação afirma ter encontrado produtos com níveis de proteção extremamente reduzidos. Entre os casos analisados, foi registado um fator de proteção efetivo de dois ou até inferior, uma situação considerada inédita nos testes realizados pela organização.
Porque é que este problema preocupa os especialistas
A questão torna-se particularmente relevante porque muitos consumidores confiam nas informações apresentadas nas embalagens para determinar o nível de proteção de que necessitam. Quando o desempenho real não corresponde ao anunciado, existe o risco de uma falsa sensação de segurança.
Na prática, uma pessoa pode aplicar o produto convencida de que está adequadamente protegida dos raios UV, quando a pele continua vulnerável à exposição solar. Essa exposição prolongada pode aumentar o risco de queimaduras e de outros problemas associados aos efeitos da radiação ultravioleta.
Por esse motivo, especialistas e entidades de defesa do consumidor recomendam especial prudência na compra de produtos cosméticos através de plataformas onde nem sempre é possível confirmar facilmente a origem, a conformidade regulamentar ou os controlos de qualidade aplicados durante o processo de fabrico.
Atualmente existem no mercado europeu diversas alternativas acessíveis que cumprem as normas comunitárias em matéria de segurança e eficácia. Segundo a Cosmopolitan França, os produtos comercializados através dos canais sujeitos à regulamentação europeia estão abrangidos por mecanismos de controlo mais rigorosos, oferecendo maiores garantias aos consumidores no que respeita à composição e ao nível de proteção anunciado.
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