A União Europeia está cada vez mais perto de restringir substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), amplamente utilizadas em objetos do quotidiano desde os anos 1950. Apelidadas de “químicos eternos” pela sua persistência no organismo e no meio ambiente, estas substâncias infiltram-se silenciosamente em inúmeros artigos de consumo diário.
França avança com restrições rigorosas
França tomou uma posição rigorosa e vai impedir, a partir de janeiro de 2026, a importação, fabrico e venda de cosméticos resistentes à água como máscaras de pestanas, bases líquidas e batons mate de longa duração. A proibição abrangerá também vestuário impermeável, calçado antimanchas e ceras de esqui que contenham PFAS, tal como reportado pelo France 24.
Uma segunda fase, até 2030, estenderá estas restrições a praticamente todo o sector têxtil, com exceções pontuais consideradas essenciais.
Dinamarca abriu caminho
A Dinamarca foi pioneira ao proibir, já em 2020, a utilização destes químicos em embalagens descartáveis de papel e cartão para contacto alimentar. Produtos como caixas de batatas fritas, sacos de pipocas para micro-ondas e embalagens para pizza foram particularmente visados devido ao risco de contaminação dos alimentos.
Exemplo dinamarquês contagia Europa
A iniciativa dinamarquesa serviu de exemplo e influenciou outros países europeus a avançarem com propostas semelhantes, pressionando as instâncias europeias a adotarem regulamentação uniforme.
Portugal: nove pontos críticos identificados
Entretanto, um projeto europeu de jornalismo de investigação, o Forever Pollution Project, revelou a existência de nove locais contaminados em Portugal com níveis perigosos destas substâncias. O ponto mais crítico está situado na freguesia de Muge, concelho de Salvaterra de Magos, com concentrações de PFAS que chegam a 3.200 nanogramas por litro.
Outras áreas afetadas incluem pontos localizados junto ao Sado e ao Guadiana, sublinhando a extensão do problema em território nacional.
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Graves riscos para a saúde
A Agência Europeia do Ambiente associa estes químicos eternos a doenças graves como cancros, infertilidade, obesidade, doenças hepáticas e problemas da tiroide.
Produtos do quotidiano preocupam especialistas
O receio aumenta dada a ampla utilização dos PFAS em sprays impermeabilizantes usados em sofás e sapatos, produtos automóveis para limpeza de estofos e em utensílios domésticos, nomeadamente frigideiras com revestimento antiaderente.
Os especialistas advertem ainda que estas substâncias não se degradam naturalmente e acumulam-se nas cadeias alimentares, aumentando a exposição prolongada dos cidadãos.
Decisão crucial prevista para 2025
Uma decisão final da Comissão Europeia sobre a possível proibição completa de cerca de dez mil tipos de PFAS é aguardada para o final de 2025. Caso aprovada, poderá ter um impacto significativo em vários sectores industriais, desde o fabrico de microchips até à cosmética, passando pela indústria alimentar e farmacêutica.
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