O frigorífico é um dos eletrodomésticos mais usados em casa e, paradoxalmente, um dos mais mal utilizados: pequenos erros diários na forma como os alimentos são guardados, organizados ou colocados ainda quentes estão a contribuir para o desperdício alimentar e, em alguns casos, para riscos de segurança alimentar. O problema não está apenas no que se compra, mas sobretudo na forma como se conserva.
A ASAE alerta que uma organização aleatória do frigorífico pode aumentar o risco de contaminação e também potenciar o desperdício alimentar, e a maioria destes erros corrige-se com mudanças simples.
A temperatura certa faz mais diferença do que parece
Um dos erros mais comuns é a regulação inadequada da temperatura. Em termos de conservação e segurança, os alimentos frescos/refrigerados devem ser guardados no frigorífico entre 0 e 5°C.
Temperaturas acima deste intervalo favorecem a multiplicação de microrganismos e aumentam o risco em alimentos mais perecíveis. Por outro lado, se o frigorífico estiver regulado “demasiado frio”, pode acontecer a congelação indesejada de alguns alimentos na zona de refrigeração.
Guardar comida quente é um erro frequente
Outro hábito recorrente é colocar alimentos ainda quentes diretamente no frigorífico. Isso pode elevar a temperatura no interior do aparelho, prejudicando a conservação dos restantes alimentos.
O ideal é arrefecer primeiro e guardar depois, mas sem deixar a comida “esquecida” fora do frio: após a confeção, o arrefecimento à temperatura ambiente deve ser curto e, como regra de segurança, não deve ultrapassar 2 horas. Sempre que possível, acelere o processo dividindo em porções mais pequenas e usando recipientes adequados.
Um frigorífico cheio demais conserva pior
A ideia de que um frigorífico cheio conserva melhor é enganadora. A circulação de ar frio é essencial para manter uma temperatura mais uniforme e estável. Quando o aparelho está sobrecarregado, o ar circula pior e algumas zonas podem ficar menos frias do que o necessário, o que encurta a durabilidade de certos produtos.
Uma organização equilibrada, com algum espaço entre alimentos e recipientes, ajuda a conservar melhor e reduz desperdício.
Cada prateleira tem uma função específica
Nem todos os alimentos devem ser guardados no mesmo local, e a temperatura no interior do frigorífico não é homogénea, variando também consoante o modelo. Por isso, deve seguir as indicações do fabricante e organizar por zonas.
Como referência prática, é essencial separar alimentos crus de alimentos já confecionados/prontos a consumir, para reduzir risco de contaminação cruzada. Carne e peixe crus devem ficar sempre bem acondicionados e posicionados de forma a evitar derrames ou pingos sobre outros alimentos. Fruta e legumes devem ir para as gavetas próprias, que ajudam a preservar melhor estes produtos.
Datas de validade esquecidas são um problema silencioso
Outro fator decisivo é a falta de controlo das datas de validade e dos alimentos que ficam “perdidos” no fundo do frigorífico. Uma regra simples é colocar mais visíveis os alimentos com prazo mais curto e fazer uma inspeção regular ao que está guardado.
Este hábito evita tanto deitar fora alimentos por esquecimento como o risco de consumo fora do prazo.
Pequenos gestos que fazem a diferença
Além das falhas mais comuns, há práticas simples que contribuem para uma melhor conservação: evitar deixar a porta aberta por muito tempo, limpar regularmente prateleiras e gavetas e guardar alimentos em recipientes bem fechados.
Organizar o frigorífico de forma correta não exige grandes investimentos nem mudanças radicais. Exige, isso sim, atenção aos detalhes. Ao ajustar a temperatura, respeitar as zonas de refrigeração, separar crus de cozinhados e manter um controlo regular do que está guardado, é possível conservar melhor a comida, reduzir o desperdício e poupar dinheiro ao longo do ano.
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