Há uma verdade universal entre quem acha que conhece Olhão e quem realmente conhece: para essa malta, Olhão começa na Avenida 5 de Outubro… e acaba logo ali . Segundo essa visão simplista, tudo o que vale a pena ver, viver ou comer está condensado nessa faixa estreita junto à ria, onde se juntam cafés históricos, turistas meio perdidos e locais sentados a ver a vida passar com um galão e uma torrada. Um postal perfeito… ou uma ilusão colectiva?
Mas, meus caros, é altura de revelar uma grande e polémica verdade: Olhão tem muitos caminhos . Sim, sim, leu bem. Há vida para lá da Avenida! Há ruas, estradas e até bairros inteiros onde as pessoas vivem, respiram e fazem a sua vida diária sem nunca pisar o empedrado a partir de 5 de Outubro. Inacreditável, eu sei.
Vamos começar pela emprestada Estrada de Quelfes , mais conhecida entre os entendidos por “Patinha” . Nome fofo, realidade… nem por isso. É uma daquelas estradas onde o asfalto já teve dias melhores (e noites piores), mas que servem de verdadeiras ligações de ligação entre mundos : do Olhão que toda a gente vê ao Olhão que quase ninguém conhece. Se tiver um carro com suspensão decente e espírito de aventura, siga por ali. Vai descobrir uma fauna urbana rica: desde lojas improvisadas em anexos, a cafés onde o café é forte e as opiniões ainda mais.
E depois há a gloriosa Rua dos Combatentes da Liberdade Nacional , em Pechão . Só o nome já impõe respeito — parece saída de um livro de história ou de um cartaz revolucionário. Mas na prática, é uma rua onde o GPS perde a vontade de viver e onde cada esquina parece um teste surpresa de orientação. Se conseguir atravessá-la sem parar para perguntar direções a alguém com sotaque cerrado, parabéns: é oficialmente de Olhão .
É claro, não podíamos deixar de mencionar a mítica Rua António Henrique Cabrita , mais conhecida — com todo o carinho da população — por estrada dos remendos . É, sem sombra de dúvida, uma verdadeira montanha russa de emoções . Cada metrô é uma surpresa: sobe, desce, treme, salta. Conduzir ali é uma experiência quase espiritual, onde a fé no sistema de amortecedores se testa ao limite. É como se cada buraco tivesse sido deixado de propósito — talvez para manter os condutores atentos… ou apenas mesmo por desleixo épico.
Mas não ficamos por aqui. Olhão tem mais trilhos, becos e vias do que muita capital de distrito . Há ruas que parecem ter sido desenhadas por alguém a brincar com o Google Maps e zonas que, de tão esquecidas, devem ser consideradas património histórico. E há ainda aquele conjunto de caminhos misteriosos que ligam o nada a coisa nenhuma , mas, por algum motivo, estão sempre cheios de movimento.
O mais curioso? Há quem viva décadas inteiras em Olhão sem nunca ter posto os pés em Quelfes, Pechão ou na estrada dos remendos. Gente que acredita piamente que o concelho termina onde acaba o passeio da avenida. Para esses, tudo o que não tem vista para o mar é campo. Ou pior: é confusão.
Por isso, da próxima vez que alguém disser com aquele ar sabichão “Conheço Olhão de trás para a frente” , pergunte: “Já foste à Patinha?” , “Sabes onde é a Rua dos Combatentes?” , ou então “Já sobreviveu à estrada dos remendos sem pedir alinhamento às rodas?”. Se a resposta para um silêncio nervoso, já sabe com o que está a lidar.
Porque sim, meus amigos: Olhão tem muitos caminhos. Uns direitos, outros esburacados, todos com histórias para contar. E quem sabe, um dia até tenha manutenção regular, agora que se fala tanto de “um caminho” para Olhão… resta saber se tem saída.
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