Coincidente com a desestruturação das grandes civilizações do Próximo e Médio Oriente, no final do 2º milénio a.C. (1200-1100 a.C.), surgem pequenos reinos, com diferentes línguas e culturas, como os filisteus, hebreus, arameus, fenícios e mesmo alguns reinos sobrantes do anterior império hitita (neo-hititas).
Em particular as cidades Fenícias (Kənáʿan na língua hebraica), desenvolvem-se em torno do comércio marítimo tornando-se as grandes potências do mar mediterrâneo. O desenvolvimento do comércio com os povos locais levou à criação de postos permanentes nesses locais. As primeiras feitorias ou entrepostos comerciais permanentes fenícios têm início no século XII a.C. Gades ou Gadir (atual Cádis) é fundada em 1110 ac.
Segundo alguns, em 1200 a.C. já havia trocas comerciais com os fenícios em Lisboa (do fenício “Allis Ubbo” com o significado de “Porto Seguro” ou “enseada amena”), ideal para reabastecer os navios que rumavam para as ilhas Scilly e Cornualha no extremo Sudoeste da Grã-Bretanha para adquirir estanho.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
Cartago apenas surge por volta de 835 ac. e desenvolve-se como cidade cerca de 814 ac. Tal como nas colónias gregas no Nordeste da Península, os fenícios não se interessavam em possuir territórios no interior; a sua relação com as populações locais é simplesmente comercial, assim a estrutura política indígena é mantida. O modelo reforça o desenvolvimento de poderes locais fortemente autónomos, de que o mítico “reino” Tartéssio é o melhor exemplo, mas que se reproduz em cada uma das povoações indígenas em que se fundaram feitorias fenícias.
Embora Iberia seja a designação grega para a Península, Hispânia foi a usada pelos romanos (Hispaniae) derivada do fenicio-cartaginês y-spny (“costa do norte”) ou de Hi-shphanim, significando ilha dos Damões, que abundariam no extremo sul da Península, todavia, para outros a origem do nome estará na derivação de Span ou Spania com o significado de “oculto“, país escondido e remoto. Tal como no mito grego das Hespérides (ninfas que personificam o pôr do sol e o entardecer, as guardiãs do mítico Jardim das Hespérides, localizado no extremo ocidente do mundo), a Hispânia marca o limite do território conhecido dos Fenícios. O desconhecido, desafiante e rico onde abunda o ouro, a prata e o cobre. O Eldorado da época.

Tal como em Castro Marim, a cidade de Tavira desenvolveu-se como um núcleo urbano de considerável importância sobre o povoado do Bronze Final, no início do 1º milénio a.C. com características que denotam a sua ligação ao mundo mediterrâneo. Embora os contactos comerciais com os fenícios possam ter ocorrido em Tavira desde o séc. VIII ac., aprofundaram-se com o estabelecimento no início do séc. VII ac. do entreposto fenício no povoado da colina de Sta. Maria a que chamaram B’LŠ[..], correspondendo ao nome da divindade fenícia BAAL. Nesta mesma época ocorre a primeira Olimpíada (776 ac.), é fundada Roma (753 ac.) e surge a primeira colónia grega no noroeste da Península (cerca de 600 ac.) A cidade de Balsa possuiria dois portos, sendo que na atual Praça da República se situaria o porto comercial e na área da Bela Fria situar-se-ia o porto interior ou porto militar. Haveria um templo dedicado a Baal associado à nascente onde atualmente se situa a Igreja de Santa Maria e um outro santuário fluvial junto da nascente que ainda hoje existe junto ao atual Núcleo da Água, cujo largo e a rua dos Pelames constituíam o centro da atividade urbana e foram suficientemente importantes para ter construído imponentes muralhas.
Em cada um destes locais, aumentou o enriquecimento das elites autóctones, as povoações desenvolveram-se, surgiu uma hierarquia social e poderosos que dominavam, de algum modo, toda a região, estendendo a sua influência na comercialização do ouro, cobre e prata dos pequenos territórios da região, bem como das terras celtas. O desenvolvimento de Balsa (Tavira) nesta época é semelhante ao dos restantes locais, como Huelva, Córdoba e Cádis. Em finais do século VII ac. a aculturação fenícia era profunda, existiriam pessoas que escreviam com alfabeto e língua fenícia.
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