Uma viagem de veleiro que deveria terminar numa ilha do Pacífico transformou-se numa operação de busca e salvamento que durou mais de dois meses. Um homem de 86 anos e o seu cão desapareceram durante a travessia e só foram encontrados 69 dias depois do último contacto conhecido, a centenas de quilómetros de terra firme.
O marinheiro tinha partido de Astoria, no estado norte-americano do Oregon, com destino à Samoa Americana, numa viagem de aproximadamente 8.000 quilómetros. A bordo do veleiro Willow Wind seguia também o seu cão, que permaneceu com o dono durante toda a aventura.
Segundo o jornal espanhol AS, que cita informações da Guarda Costeira dos Estados Unidos, o último contacto conhecido com o homem tinha ocorrido a 20 de agosto. Desde então, não havia informações sobre o seu paradeiro, aumentando a preocupação de quem o aguardava no destino.
Alerta foi dado depois de o homem não chegar ao destino
A viagem deveria terminar em Pago Pago, na Samoa Americana, mas o veleiro nunca chegou ao local previsto.
A 24 de outubro, a Guarda Costeira norte-americana recebeu uma comunicação a informar que o marinheiro não tinha chegado ao destino, apesar de já terem passado várias semanas desde a partida.
Três dias depois, a 27 de outubro, as autoridades receberam um sinal de emergência emitido por um transmissor registado em nome do Willow Wind.
O dispositivo permitiu identificar a localização aproximada da embarcação e desencadear uma operação de busca e salvamento no oceano Pacífico.
Veleiro foi encontrado a 740 quilómetros da costa
A operação envolveu diferentes meios da Guarda Costeira dos Estados Unidos, incluindo o navio Robert Ward e aeronaves C-27 Spartan e HC-130 Hercules.
O primeiro contacto com o veleiro foi estabelecido pelo navio de transporte Grand Orion, que encontrou a embarcação a cerca de 460 milhas, aproximadamente 740 quilómetros, da costa de San Diego, na Califórnia.
Apesar de terem conseguido localizar o marinheiro e o seu cão, as condições do mar dificultaram a operação de salvamento.
Durante a madrugada de 28 de outubro, a forte ondulação impediu que a tripulação do navio de transporte retirasse imediatamente os dois ocupantes do veleiro.
Foi necessário aguardar várias horas até que as condições permitissem realizar a operação em segurança.
Homem e cão foram finalmente resgatados
O salvamento acabou por ser concretizado depois das 17h00, quando a tripulação do Grand Orion conseguiu retirar o homem e o animal da embarcação.
O veleiro, que apresentava danos nas velas, acabou por ficar à deriva no oceano Pacífico.
Posteriormente, um helicóptero da Guarda Costeira participou na retirada do marinheiro e do seu cão do navio que os tinha recolhido.
Após o regresso a terra, o homem foi encaminhado para o Hospital Scripps Mercy, onde foi submetido a uma avaliação médica mais aprofundada.
Segundo as autoridades, o marinheiro apresentava sinais de fraqueza e dificuldades em caminhar, mas não tinha ferimentos graves.
Não foram divulgados pormenores sobre a forma como o homem conseguiu alimentar-se e manter-se hidratado durante o período em que esteve desaparecido.
Guarda Costeira destaca importância dos equipamentos de emergência
O comandante Jason Nguyen, da Guarda Costeira norte-americana, agradeceu a colaboração dos marinheiros mercantes e das equipas envolvidas no salvamento.
O responsável destacou que a cooperação entre os diferentes meios foi fundamental para localizar e resgatar o homem e o seu animal de estimação.
A Guarda Costeira aproveitou ainda o episódio para recordar a importância de transportar equipamentos de comunicação de emergência durante viagens marítimas de longa distância.
As autoridades recomendam igualmente que os navegadores comuniquem antecipadamente os seus planos de viagem a alguém em terra, incluindo o percurso previsto e a data estimada de chegada.
Neste caso, o sinal emitido pelo transmissor de emergência acabou por ser determinante para localizar o veleiro e permitir o resgate dos dois ocupantes, depois de mais de dois meses sem notícias.
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