O Movimento Albufeira Sem Medo pediu, em 4 de novembro, o afastamento de Rui Cristina da administração da Águas do Algarve. A organização alega um conflito de interesses entre o cargo de presidente da Câmara de Albufeira e as funções que o autarca exerce na empresa responsável pela dessalinizadora cujas obras mandou embargar.
Nomeação para a administração ocorreu em outubro
De acordo com a Águas do Algarve, Rui Cristina foi nomeado vogal não executivo do conselho de administração na assembleia geral realizada em 1 de outubro de 2026.
O órgão é presidido por Helena Lucas e integra também os administradores executivos Hugo Nunes e Bruno Costa. Filomena Sintra, presidente da Câmara de Castro Marim, ocupa igualmente funções de vogal não executiva.
A composição publicada pela empresa identifica expressamente Rui Cristina como presidente da Câmara Municipal de Albufeira.
Denúncia pede averiguações e afastamento
Segundo a Lusa, o movimento considera que o autarca deveria ter declarado um impedimento ou conflito de interesses antes de intervir no embargo, anunciado em 30 de outubro.
A organização invoca possíveis violações do Código do Procedimento Administrativo, dos estatutos dos eleitos locais e dos gestores públicos e das regras éticas do Grupo Águas de Portugal.
“Ninguém pode estar dos dois lados da mesa”, argumenta o movimento, que solicita averiguações, o afastamento das matérias relacionadas com a dessalinizadora e a demissão da administração. A organização ressalva a presunção de inocência do autarca.
Empresa reúne para analisar o embargo parcial
Entretanto, a Águas do Algarve marcou uma reunião extraordinária e urgente do conselho de administração para hoje, 5 de novembro, às 9:00.
Num comunicado divulgado pelo Barlavento, a concessionária indica que recebeu, em 3 de novembro, a notificação municipal relativa ao embargo parcial da obra.
A reunião destina-se a analisar a notificação e uma proposta de atuação. A empresa pretende acautelar os danos decorrentes da medida que possam comprometer a continuidade do projeto de resiliência hídrica do Algarve.
Autarca exige alterações ao projeto
Rui Cristina justificou o embargo com uma alegada violação do Plano Diretor Municipal e defendeu que a construção deve respeitar as regras urbanísticas e a proteção ambiental.
Na posição divulgada em 30 de outubro, o presidente da Câmara afirmou pretender que a dessalinizadora seja concretizada com respeito pela lei e pela população do concelho.
Entre as alterações reclamadas estão o prolongamento do emissário e a descarga de salmoura a maior profundidade e mais longe da costa.
Dessalinizadora prevê produção de 43.200 metros cúbicos por dia
Nos dados técnicos divulgados pela Águas do Algarve, o projeto apresenta uma capacidade inicial de 500 litros por segundo, equivalente a 43.200 metros cúbicos de água potável por dia.
Está prevista a possibilidade de ampliação para 750 litros por segundo, correspondentes a 64.800 metros cúbicos diários.
O processo inclui captação de água do mar, pré-tratamento, osmose inversa e remineralização. Segundo a empresa, a infraestrutura pretende reforçar o abastecimento público e reduzir a dependência da precipitação e das reservas subterrâneas.
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