A possibilidade de um sismo de grande dimensão atingir Portugal continua a preocupar as autoridades, que alertam para a importância de a população conhecer os comportamentos de autoproteção. Embora não seja possível prever quando ocorrerá um fenómeno desta natureza, existem regiões do país onde as consequências poderão ser particularmente graves.
O alerta foi deixado esta quarta-feira, 4 de novembro, pelo diretor nacional de prevenção e gestão de riscos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Carlos Mendes, que recordou que Portugal se encontra numa zona de particular vulnerabilidade sísmica.
Em declarações à agência Lusa, o responsável sublinhou que os sismos podem ocorrer a qualquer momento e que a ciência ainda não dispõe de meios para determinar antecipadamente a data ou a hora de um acontecimento desta natureza.
Algarve está entre as regiões com maior risco sísmico
De acordo com Carlos Mendes, as regiões que historicamente apresentam maior intensidade de risco sísmico são a Área Metropolitana de Lisboa, o Vale do Tejo, o Alentejo e o Algarve.
Estas zonas registaram, ao longo da história, alguns dos fenómenos sísmicos com consequências mais graves, razão pela qual são consideradas particularmente vulneráveis.
O responsável explicou que um sismo de grande dimensão poderá ter consequências em todo o território continental, embora os efeitos mais significativos sejam esperados nas regiões identificadas.
A vulnerabilidade destas áreas está relacionada com o histórico de atividade sísmica e com as características das construções e infraestruturas existentes.
Proteção Civil admite que um grande sismo poderá causar danos significativos
Questionado sobre a capacidade de Portugal para enfrentar um sismo de elevada magnitude, Carlos Mendes reconheceu que nenhum país consegue garantir uma preparação absoluta perante um fenómeno desta dimensão.
O responsável destacou que Portugal dispõe de regulamentação de construção antissísmica relativamente recente, que contribui para aumentar a resistência dos edifícios.
Contudo, lembrou que muitas habitações e outras estruturas foram construídas antes da entrada em vigor das normas mais recentes, o que poderá aumentar a sua vulnerabilidade.
Mesmo nos edifícios que resistam aos movimentos sísmicos, poderão verificar-se danos no interior das habitações, nos acessos e nas infraestruturas essenciais.
Um sismo de grande magnitude poderá também afetar o fornecimento de serviços básicos, as comunicações digitais, os transportes e o funcionamento habitual da sociedade.
O que deve fazer durante um sismo?
A Proteção Civil reforça a importância de conhecer três gestos fundamentais de autoproteção: baixar, proteger e aguardar.
Durante um sismo, quem estiver dentro de um edifício deve baixar-se, procurar proteção debaixo de uma mesa resistente, sempre que possível, e aguardar até que os movimentos terminem.
É igualmente importante afastar-se de janelas, vidros e objetos que possam cair, evitando correr para o exterior enquanto a terra estiver a tremer.
Depois do sismo, deve manter a calma, verificar se existem feridos e seguir as orientações das autoridades. A preparação antecipada também permite ajudar familiares, vizinhos e outras pessoas que possam necessitar de assistência.
Exercício «A Terra Treme» realiza-se esta quinta-feira
O alerta surge na véspera do exercício público de sensibilização para o risco sísmico «A Terra Treme», promovido pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
A iniciativa realiza-se esta quinta-feira, 5 de novembro, e pretende sensibilizar a população para a importância de saber como reagir antes, durante e depois de um sismo.
Carlos Mendes considera que este tipo de exercício tem contribuído para aumentar a consciência coletiva sobre o risco sísmico, embora reconheça que ainda existe a tendência para acreditar que estas situações acontecem apenas aos outros.
O responsável recordou que Portugal não regista um grande sismo há mais de dois séculos, mas sublinhou que isso não significa que o país esteja livre de voltar a enfrentar um fenómeno desta natureza.
Apesar dos alertas, a Proteção Civil esclarece que não existem indicações científicas de que esteja iminente um grande sismo em Portugal. A mensagem das autoridades centra-se, por isso, na prevenção e na preparação da população para uma eventual emergência.
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