Desde que entrou em funcionamento, a 10 de abril, o sistema Volta recuperou mais de 150 milhões de garrafas e latas de bebidas e expandiu a rede para mais de 3.000 pontos automáticos, incluindo um dos primeiros quiosques instalados em Albufeira.
O Sistema de Depósito e Reembolso permite devolver embalagens de bebidas de utilização única, com capacidade inferior a três litros, e recuperar os dez cêntimos pagos como depósito no momento da compra.
O período de transição termina na segunda-feira, 10 de agosto. A partir dessa altura, todas as bebidas colocadas no mercado nas embalagens abrangidas deverão estar integradas no sistema.
Albufeira entre os primeiros municípios com quiosque
O Volta arrancou com 2.500 pontos de recolha automática em supermercados e hipermercados, número que já aumentou para mais de 3.000.
Existem também locais de recolha manual e está a ser criada uma rede de 50 Quiosques Volta, distribuídos por 38 dos maiores municípios do país.
Albufeira integra o primeiro grupo de localidades onde estes equipamentos já funcionam, juntamente com Barcelos, Vila Nova de Famalicão, Funchal e Ponta Delgada.
Cada quiosque tem capacidade para receber cerca de 120 embalagens por minuto.
Recolha acelerou desde junho
Nos primeiros dois meses de funcionamento, até 10 de junho, tinham sido devolvidas dez milhões de embalagens. O total subiu para 55,5 milhões em 6 de julho e alcançou os 100 milhões no dia 21 desse mês.
A chegada aos 150 milhões revela, de acordo com a SDR Portugal, entidade responsável pela gestão do sistema, “uma adesão rápida e crescente dos cidadãos”.
A empresa adianta que a rede de recolha “continua em expansão e adaptação” e será reforçada “de forma faseada”.
Está também prevista uma nova etapa da campanha de comunicação, destinada a esclarecer as dúvidas mais frequentes dos consumidores e a reforçar a informação sobre o funcionamento do sistema.
Máquinas disponíveis durante cerca de 90% do tempo
A SDR Portugal reconhece a existência de situações de “inatividade” das máquinas, mas assegura que os equipamentos estão disponíveis, em média, durante cerca de 90% do tempo.
Na maioria dos casos, as interrupções resultam da necessidade de trocar sacos ou repor papel nas impressoras.
Os estabelecimentos com mais de 400 metros quadrados de área de exposição e venda são obrigados a receber todas as embalagens abrangidas. Caso a máquina esteja indisponível, o consumidor deve dirigir-se ao apoio ao cliente e solicitar a resolução do problema.
Lixo nas ruas é considerado uma perturbação inicial
Questionada sobre o lixo espalhado junto a contentores devido à procura de embalagens, sobretudo em Lisboa e no Porto, a entidade gestora recordou que Portugal é o 19.º país europeu a implementar este modelo.
“Perturbações pontuais na higiene urbana também foram registadas no arranque dos sistemas de vários países europeus”, explicou a SDR Portugal.
A empresa afirma que estes problemas diminuíram à medida que as redes de recolha foram alargadas, surgiram soluções urbanas e os cidadãos integraram a devolução das embalagens nos hábitos quotidianos.
Meta sobe para 90% em 2029
O objetivo do Volta é recuperar 40% das embalagens abrangidas em 2026, aumentando a taxa para 80% em 2027, 85% em 2028 e 90% a partir de 2029.
Os depósitos que não forem reclamados serão reinvestidos na melhoria do sistema apenas se as metas forem cumpridas. Caso contrário, essas verbas revertem, em partes iguais, para o Fundo Ambiental e para o Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores.
A SDR Portugal considera o sistema essencial para reduzir os resíduos enviados para aterro e cumprir as metas europeias. Cerca de 54% dos resíduos urbanos portugueses ainda seguem para aterro, estando várias dessas infraestruturas próximas do limite da capacidade.
O incumprimento da taxa europeia de recolha de 90% até 2029 poderá dar origem a multas suportadas pelo Orçamento do Estado.
A.Pinto / HDF
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