A eliminação de Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026, diante da Espanha, continua a gerar debate. Ricardo Quaresma, antigo internacional português, voltou a ser crítico da prestação da seleção nacional e discordou da análise feita por Rúben Dias, numa conversa transmitida pela LiveMode TV.
O defesa-central tinha considerado que o jogo frente à Espanha foi um dos mais conseguidos de Portugal desde que representa a seleção nacional. Rúben Dias admitiu frustração pelo desfecho, mas defendeu que a equipa teve momentos em que parecia capaz de desequilibrar o adversário. Quaresma, porém, não acompanhou essa leitura.
Quaresma critica falta de profundidade e remates
O antigo jogador considerou que Portugal tinha qualidade suficiente para fazer mais perante a seleção espanhola. Na sua análise, a equipa nacional jogou demasiadas vezes para trás e para o lado, privilegiando a posse de bola, mas sem procurar com frequência a profundidade, o remate ou situações claras de golo.
“Vocês podiam fazer muito mais”, afirmou Quaresma, dirigindo-se a Rúben Dias. O antigo internacional português reconheceu o valor da Espanha, mas sublinhou que Portugal tem jogadores de nível elevado e capacidade para vencer um adversário desse calibre.
Quaresma defendeu ainda que a seleção deveria ter explorado melhor as características de jogadores como Rafael Leão, Pedro Neto e Francisco Conceição, elementos que, no seu entender, têm capacidade para desequilibrar em situações de um contra um. Para o antigo extremo, o problema não esteve apenas no resultado, mas na forma como Portugal procurou chegar à baliza adversária.
Resposta de Rúben Dias
Rúben Dias respondeu que a realidade de uma seleção é mais complexa do que a simples soma de individualidades. O central do Manchester City lembrou que Portugal reúne jogadores com perfis, escolas e ideias diferentes, ao contrário de seleções como a Espanha, onde existe uma maior uniformidade na formação e no entendimento do jogo.
Na resposta, Rúben Dias defendeu que jogar bem não se resume à virtuosidade individual ou ao confronto direto. O defesa sustentou que a posse de bola, a paciência e o equilíbrio também fazem parte da estratégia, sobretudo para evitar que a equipa passe demasiado tempo a correr atrás da bola e perca energia nos momentos decisivos.
Quaresma interrompeu a explicação para insistir na necessidade de Portugal aproveitar melhor os jogadores mais fortes no desequilíbrio. O antigo internacional defendeu que a seleção não pode limitar-se a trocar passes e deve procurar com mais frequência soluções ofensivas capazes de criar perigo.
Rúben Dias manteve, contudo, a sua posição. O defesa rejeitou a ideia de que Portugal não arriscou porque não quis e considerou redutor passar essa mensagem. Para o internacional português, a equipa tentou encontrar equilíbrio e evitar uma abordagem demasiado precipitada, que poderia levar a perdas de bola e a desorganização.
“Não pode ser tudo para a frente”, resumiu Rúben Dias, defendendo que a seleção procurou ser objetiva dentro do plano definido. O central reiterou ainda que, apesar da eliminação, considera que este foi o melhor jogo de Portugal frente à Espanha desde que está na seleção.
Ricardo Quaresma já tinha sido crítico da participação portuguesa no Mundial 2026 e da estratégia de Roberto Martínez. A derrota frente à Espanha acabou por reforçar o debate em torno do rendimento da seleção, da utilização das individualidades e do modelo de jogo adotado ao longo da competição.















