A mobilidade urbana em Portugal está a revelar novos padrões de utilização, sobretudo nas plataformas de transporte individual e de micromobilidade. Um estudo recente mostra que os hábitos dos portugueses diferem de outros países europeus e identifica uma faixa horária específica em que a procura por TVDE atinge o ponto mais elevado.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a análise divulgada pela Bolt conclui que o pico de utilização de plataformas TVDE em Portugal acontece por volta das 16 h, um horário mais cedo do que em muitos outros mercados europeus analisados pela empresa. Significa, então, que neste horário pode ter maiores dificuldades a encontrar motorista, podendo mesmo não encontrar, uma vez que a procura é bastante elevada.
Diferença que destaca Portugal na Europa
O estudo, realizado no âmbito do Dia da Europa, analisou 24 mercados europeus e concluiu que não existe um padrão único de mobilidade no continente. Segundo a mesma fonte, Portugal surge entre os países com horários de maior procura mais antecipados.
Enquanto em Portugal o pico de pedidos acontece às 16 h, Espanha regista o máximo pelas 20 h, França às 23 h e Bélgica e Países Baixos apenas perto da meia-noite, escreve a agência de notícias.
O que explica a procura a meio da tarde
A Bolt considera que este comportamento está relacionado com a diversidade dos utilizadores que recorrem ao serviço. De acordo com o estudo citado pela agência noticiosa, os passageiros incluem estudantes universitários, trabalhadores e também utilizadores mais seniores.
Com muitos horários profissionais e académicos a terminarem entre as 17:30 h e as 18 h, a procura aumenta de forma significativa durante a tarde, antes de diminuir gradualmente ao longo da noite, refere a mesma fonte.
Atividade noturna é mais reduzida
Os dados mostram ainda que Portugal apresenta um dos níveis mais baixos de utilização noturna de TVDE na Europa. Apenas 19% das viagens acontecem durante a noite, um valor semelhante ao registado na Roménia.
Já o período do meio-dia representa 34% das deslocações, enquanto o regresso a casa ao final do dia concentra outros 19% das viagens realizadas através destas plataformas.
Trotinetes e bicicletas entram noutra fase do dia
A análise revela também diferenças claras entre os horários de utilização dos TVDE e os da micromobilidade. Conforme o estudo, as trotinetes e bicicletas elétricas da Bolt atingem o pico de utilização por volta das 18 h. Segundo a mesma fonte, isso demonstra que os dois tipos de transporte cumprem funções distintas no quotidiano urbano. O TVDE é mais utilizado no regresso a casa após o trabalho, enquanto a micromobilidade prolonga as deslocações durante o final da tarde e início da noite.
O estudo conclui que trotinetes e bicicletas elétricas estão sobretudo associadas a trajetos mais curtos, pequenas deslocações urbanas e ligações de último quilómetro. O meio-dia representa 31% destas viagens e o período de final de tarde corresponde a 23%. Este padrão é relativamente semelhante em vários mercados europeus, ao contrário do que acontece com os TVDE, cujos horários de maior procura variam bastante entre países.
Complementaridade entre diferentes meios
Para a Bolt, os resultados reforçam a ideia de um sistema de mobilidade integrado entre vários modos de transporte. Os dados mostram uma complementaridade crescente entre TVDE, micromobilidade e transportes públicos. O diretor-geral da Bolt em Portugal, Mário de Morais, citado pela Lusa, defende que as políticas de mobilidade devem ser construídas com base em dados concretos e não apenas em perceções sobre os hábitos dos utilizadores.
A comparação europeia evidencia diferenças significativas nos ritmos urbanos entre países da UE. De acordo com a mesma fonte, há uma diferença de até 10 horas entre os países com os picos mais cedo e os mais tardios. Portugal surge assim como um dos mercados mais antecipados no sul da Europa, refletindo hábitos urbanos próprios e uma utilização diferenciada das plataformas digitais de mobilidade ao longo do dia.
Leia também: Adeus carta de condução? Proposta quer definir esta idade máxima para conduzir em Portugal















