O concurso aberto após a primeira época de avaliação de 2026 para médicos de família preencheu 88% das vagas na Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve e 273 dos 711 lugares disponíveis em todo o país. Segundo a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), as colocações permitirão atribuir um especialista a mais de 400 mil utentes.
O Ministério da Saúde decidiu disponibilizar todas as vagas solicitadas pelas unidades locais de saúde, num total de 711. Os dados enviados pela ACSS à Lusa, divulgados a 17 de julho, mostram que foram ocupados cerca de 38% desses lugares.
A taxa registada na ULS do Algarve ficou próxima da verificada na região Norte, onde foi preenchida quase a totalidade das vagas disponíveis, correspondente a 95%.
Mais 42 médicos entraram no SNS
Em todo o país, ingressaram este ano no Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais 42 novos médicos de família do que no concurso equivalente de 2025.
O procedimento “permitiu reforçar os cuidados de saúde primários em todas as regiões do país, traduzindo-se num aumento do número de médicos colocados face ao ano anterior”, assegurou a ACSS.
Segundo a entidade responsável pelo concurso, o aumento das colocações também chegou às zonas onde a falta de médicos de família é mais acentuada, nomeadamente Lisboa e Vale do Tejo.
Nesta região, contudo, apenas 113 das 446 vagas disponibilizadas foram ocupadas, o equivalente a 25% dos lugares colocados a concurso.
A ULS do Estuário do Tejo, que em 2025 não tinha conseguido preencher qualquer vaga, recebeu este ano 10 novos médicos de família, apesar de ter aberto 35 lugares.
Em maio, mais de 1,6 milhões de pessoas não tinham médico de família em Portugal. Cerca de 1,1 milhões encontravam-se em Lisboa e Vale do Tejo.
Recém-especialistas asseguram 246 colocações
Dos 273 médicos colocados na especialidade de medicina geral e familiar, 246 são recém-especialistas. Este número corresponde a cerca de 90% dos médicos que concluíram o internato.
A ULS do Litoral Alentejano foi a única do país que não conseguiu preencher qualquer lugar, apesar de ter 24 vagas disponíveis.
“Os resultados deste concurso beneficiaram da disponibilização de todas as vagas identificadas pelas ULS, o que permitiu aproveitar a capacidade formativa do país e reforçar o SNS com mais profissionais, respondendo às necessidades das populações e promovendo uma maior equidade no acesso aos cuidados de saúde”, salientou a ACSS.
No concurso destinado à colocação de médicos de saúde pública, foram ocupadas 36 das 68 vagas disponibilizadas, mais seis do que no procedimento realizado em 2025.
A.Pinto / HDF
Leia também: “Não faz sentido que assim seja”: novas regras vão deixar mais portugueses sem médico de família















