
Para tentar evitar a situação, o sindicato entregou hoje uma proposta de acordo de empresa ao administrador da Vizur – a nova empresa, que deverá iniciar atividade em julho -, que assegurou à Lusa que os trabalhadores vão manter as mesmas condições.
Após um encontro com a administração, em Faro, no âmbito de um conjunto de ações de luta em todo o paÃs, Paulo Afonso, dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), manifestou à Lusa a sua preocupação, apontando que “não está explÃcito que os trabalhadores passem de uma empresa para a outra sem perda de regalias”.
Segundo o sindicalista, em causa estão mais de “200 trabalhadores da Frota Azul e da EVA-transportes”, caso se mantenha a “mesma oferta e o mesmo número de carreiras” que havia antes da pandemia de covid-19.
Paulo Afonso notou que há diferenças entre os trabalhadores, com os da Frota Azul a estarem abrangidos por um Contrato Coletivo de Trabalho Vertical de pesados de passageiros e os da EVA por um acordo de empresa “que já vem da Rodoviária Nacional”.
Segundo o dirigente sindical, o acordo de empresa por que estão abrangidos os trabalhadores da EVA é “muito mais vantajoso”, traduzindo-se em “150 euros a mais no final do mês”, exemplificou.
A preocupação estende-se ao que possa vir a acontecer aos trabalhadores no final do contrato de concessão com a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), daqui a cinco anos, entidade que gere os transportes na região.
O sindicato diz já ter pedido “há mais de dois meses” uma reunião à quela entidade, mas ainda aguarda “uma resposta”.
“Está nas mãos da AMAL, nos próximos concursos, colocar cláusulas de salvaguarda destes trabalhadores, garantindo que uma nova empresa vencedora os incorpora e lhes mantém as regalias, ficando salvaguardados”, alertou Paulo Afonso.
Do lado da Vizur, apesar de a pandemia ter criado alguma incerteza quanto à “data de inÃcio da atividade”, o administrador, Ricardo Afonso, garantiu à Lusa que os trabalhadores irão manter as mesmas condições.
“A ideia é transferir as pessoas com todos os direitos e garantias que têm à data. Se viermos a negociar baseado num acordo de empresa, aà já será uma base negocial entre as partes e as condições podem-se alterar, mas aà já é de acordo com os trabalhadores”, esclareceu.
Aquele responsável apontou que num novo concurso, daqui a cinco anos, e dentro do conceito da “transmissão de estabelecimento”, a empresa vencedora terá de “assumir os trabalhadores, tal qual lá estão e garantir, nomeadamente a antiguidade”.
A Vizur é uma nova empresa criada após a transportadora algarvia EVA-transportes ter vencido um concurso internacional lançado pela AMAL e lhe ter sido concessionado o Serviço Público de Transporte Rodoviário na região.
O inÃcio de atividade deverá acontecer até ao dia 1 de julho.
















