Uma carta aberta dirigida ao presidente da Mercadona, Juan Roig, denuncia alegadas situações de pressão psicológica, abuso de poder e dificuldades laborais numa loja da cadeia em Santarém. De acordo com o jornal Notícias do Sorraia, o documento foi escrito por um trabalhador da empresa, que descreve um ambiente de trabalho marcado pelo medo, pela desorganização e por práticas que considera incompatíveis com uma gestão equilibrada. A Mercadona respondeu às acusações e garante não ter recebido qualquer queixa formal relacionada com os factos relatados.
O caso ganhou dimensão depois de o conteúdo da carta se tornar público, levando a empresa a apresentar a sua versão dos acontecimentos. Enquanto o autor pede uma intervenção da administração, a Mercadona afirma que dispõe de mecanismos internos para receber denúncias e sustenta que, na loja em causa, não foram registadas reclamações desde a abertura.
Trabalhador pede intervenção da administração
Na carta, o funcionário começa por reconhecer que o emprego lhe proporcionou estabilidade profissional, mas afirma que as condições de trabalho se degradaram ao longo do tempo.
Entre as principais críticas está a alegada utilização do prémio de desempenho como instrumento de pressão sobre os trabalhadores. O autor também questiona os critérios utilizados na progressão de carreira e descreve um ambiente onde, escreve, predominam o “medo” e o “abuso de poder”.
Acusações vão além da organização do trabalho
O documento faz ainda referência a uma alegada sobrecarga de funções provocada pela saída de trabalhadores, bem como a alterações de horários comunicadas sem antecedência, situação que, segundo o autor, dificulta a conciliação entre a vida profissional e pessoal.
Conforme a mesma fonte, são igualmente denunciadas alegadas situações de discriminação, desumanização e episódios de xenofobia, além de práticas que teriam como objetivo criar uma imagem mais positiva perante superiores hierárquicos.
Comunicação interna também é criticada
Outro dos aspetos abordados na carta prende-se com a relação entre os trabalhadores e os diferentes níveis de chefia. O funcionário afirma que existe um ambiente que desencoraja o contacto com responsáveis de escalões superiores.
Na sua perspetiva, essa realidade impede que muitos problemas sejam comunicados ou resolvidos. Por esse motivo, termina a carta apelando à realização de uma auditoria interna e defendendo uma liderança “mais humana, justa e transparente”.
Outros trabalhadores relatam situações semelhantes
O Notícias do Sorraia refere ter contactado vários colaboradores da loja de Santarém, que confirmaram alguns dos episódios descritos na carta.
Entre os casos mencionados encontra-se o de uma trabalhadora que, após ter sido mãe, alegadamente não conseguiu obter um horário flexível, apesar de considerar que esse direito estava previsto na lei. A funcionária avançou para tribunal e acabou por obter uma decisão favorável, levando a empresa a atribuir-lhe um horário compatível com os descansos ao fim de semana.
Mercadona rejeita as acusações
Na resposta enviada ao jornal, fonte oficial da Mercadona afirma que a empresa disponibiliza diversos canais internos para que os colaboradores apresentem sugestões, dúvidas ou preocupações, podendo fazê-lo também de forma anónima.
A empresa acrescenta que todas as comunicações são analisadas pelos departamentos competentes e garante que, relativamente à loja em causa, “não foi registada qualquer reclamação nos quatro anos desde a sua abertura”.
Empresa destaca indicadores internos
Além de rejeitar as alegações apresentadas na carta, a Mercadona salienta vários indicadores internos relativos ao funcionamento da equipa.
Segundo a empresa, a maioria dos trabalhadores recebeu o prémio anual por objetivos, foram concretizadas diversas promoções internas e o investimento em formação ultrapassa os 1.200 euros anuais por colaborador. A resposta procura contrariar a imagem transmitida pelo autor da carta, enquanto as alegações divulgadas permanecem limitadas aos testemunhos recolhidos e às posições assumidas pelas partes envolvidas.
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