Os modelos meteorológicos apontam para uma alteração no padrão atmosférico nos próximos dias, com a previsão de uma fase positiva da Oscilação do Atlântico Norte, conhecida pela sigla NAO, entre 3 e 10 de abril. Esta mudança poderá refletir-se no estado do tempo em Portugal, interrompendo o período mais estável e introduzindo maior variabilidade, com possibilidade de chuva, vento mais forte e uma ligeira descida das temperaturas em várias regiões.
Até dia 3 de abril, o cenário continua relativamente estável, com circulação de oeste e temperaturas acima do habitual para a época em grande parte do território. As máximas deverão oscilar entre os 18 e os 24 graus, podendo ser mais elevadas no interior, onde localmente podem aproximar-se dos 26 graus.
De acordo com o portal especializado em meteorologia, Meteored, este arranque de abril ainda reflete a influência de um padrão atmosférico mais organizado, com céu pouco nublado em muitas regiões e vento geralmente fraco a moderado. No entanto, os modelos começam a mostrar sinais de mudança, sobretudo no Atlântico Norte.
Mudança começa a desenhar-se no início de abril
A partir de dia 3, a circulação atmosférica poderá tornar-se mais ondulada, com o enfraquecimento do padrão mais estável que dominou os últimos dias. Essa reorganização abre espaço à aproximação de um cavado a oeste da Península Ibérica, elemento que poderá introduzir maior instabilidade.
Entre os dias 6 e 7 de abril, esse cavado poderá favorecer a ocorrência de precipitação, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Ainda assim, a distribuição e a intensidade da chuva em Portugal continuam a apresentar alguma incerteza, o que é habitual em previsões de médio prazo.
Para já, os acumulados previstos surgem como pouco elevados a moderados, situando-se em geral entre 2 e 15 milímetros. Os valores poderão ser superiores em zonas montanhosas e mais expostas ao fluxo de sudoeste, onde a precipitação tende a ser mais favorecida.
Chuva irregular e abertas no mesmo período
O cenário mais provável aponta para chuva irregular, alternada com períodos de abertas. Ou seja, não se prevê, para já, um episódio contínuo e generalizado de precipitação intensa, mas sim uma fase mais instável e variável.
Essa alternância poderá ser visível ao longo do próprio dia, com diferenças entre manhã e tarde em várias regiões do país. Haverá momentos de maior nebulosidade, seguidos de abertas, num padrão típico de circulação pouco organizada.
Ao mesmo tempo, as temperaturas deverão descer ligeiramente durante esta fase. Depois dos valores mais elevados previstos até ao início do fim de semana, as máximas poderão recuar para intervalos entre 15 e 20 graus, em resultado da maior nebulosidade e da entrada de ar marítimo.
Vento também pode ganhar força
Outro dos aspetos a acompanhar é o vento. Entre os dias 5 e 6 de abril, prevê-se uma intensificação temporária, com rajadas que poderão atingir entre 50 e 70 quilómetros por hora, sobretudo no litoral e nas terras altas.
Este reforço estará associado ao aumento do gradiente de pressão provocado pela aproximação do cavado atlântico. Nas zonas mais expostas, o vento poderá fazer-se sentir de forma mais marcada, contribuindo para a sensação de mudança no estado do tempo.
Apesar disso, o cenário não aponta, para já, para uma situação extrema ou muito prolongada. O mais provável é uma fase de transição, marcada por maior agitação atmosférica, mas ainda com alguma irregularidade na forma como os seus efeitos se distribuem pelo território.
Depois de 7 de abril a incerteza aumenta
A partir de dia 7, os modelos sugerem nova reorganização da circulação, com hipótese de reforço do anticiclone a sudoeste da Península Ibérica. Se essa tendência se confirmar, Portugal poderá voltar a entrar num período mais seco e estável.
Nessa fase, as temperaturas poderão subir novamente, com máximas entre 20 e 25 graus, sobretudo nas regiões do interior. O vento tenderá a enfraquecer e, em alguns locais, poderá rodar para leste, favorecendo condições mais secas.
Ainda assim, esta parte da previsão deve ser lida com cautela. Em meteorologia, pequenas alterações na posição das depressões ou dos anticiclones podem mudar de forma significativa o impacto sentido em Portugal, especialmente quando se fala de previsões a vários dias.
O que pode significar a NAO positiva para Portugal
A previsão de uma fase positiva da NAO entre 3 e 10 de abril sugere, no essencial, uma reorganização da circulação no Atlântico Norte com reflexos no comportamento do tempo sobre a Península Ibérica. No caso português, isso poderá traduzir-se numa breve interrupção do tempo mais seco, seguida de nova tendência para estabilização.
Para já, o sinal dominante é de mudança temporária, não de viragem prolongada. Portugal poderá passar de um período quase veranil, com temperaturas elevadas para a época, para alguns dias de maior variabilidade, chuva dispersa e vento mais intenso.
Nos próximos dias, as atualizações dos modelos serão decisivas para perceber se esta alteração terá impacto mais expressivo ou se ficará limitada a uma fase curta de instabilidade. Até lá, a principal mensagem é clara: depois do calor e da estabilidade, abril poderá trazer já nos próximos dias um tempo mais mexido em várias regiões do país.
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