Lisboa está a enfrentar dias de calor extremo, com temperaturas muito elevadas durante o dia e noites pouco refrescantes. A situação está a ser agravada por uma cúpula de calor que mantém Portugal continental sob uma massa de ar quente e persistente.
Segundo a meteorologista Marta Godinho, da Meteored, a capital é um dos exemplos mais evidentes desta onda de calor, que está a tornar o quotidiano mais difícil para quem vive ou trabalha na cidade. A especialista descreve mesmo que, nos últimos dias, o calor em Lisboa tem sido “impossível de aguentar”.
A Área Metropolitana de Lisboa poderá atingir valores próximos dos 40 ºC, sobretudo nas zonas mais afastadas da influência marítima. Junto ao litoral, a proximidade do oceano deverá ajudar a moderar ligeiramente as temperaturas, mas sem afastar o cenário de calor intenso.
Noites também trazem pouco alívio
O problema não se limita às horas de maior calor. Nas cidades, o arrefecimento durante a noite torna-se mais lento devido ao chamado efeito de ilha de calor urbana, provocado pela acumulação de calor em materiais como o betão e o asfalto.
A elevada densidade de edifícios, a impermeabilização dos solos e a própria atividade humana contribuem para manter temperaturas desconfortáveis mesmo depois do pôr do sol. Por isso, as noites podem continuar pouco refrescantes, aumentando o desgaste físico da população.
Nortada não está a travar o calor
A situação é considerada pouco habitual para o litoral português nesta altura do ano, uma vez que a nortada costuma ajudar a moderar as temperaturas no verão. Desta vez, porém, a configuração atmosférica está a impedir a entrada de ar mais fresco do Atlântico.
De acordo com a Meteored, um Anticiclone dos Açores robusto, posicionado a oeste da Península Ibérica, está a favorecer a estabilidade e a bloquear a renovação da massa de ar. Ao mesmo tempo, ar muito quente vindo do Norte de África chega à Península Ibérica e é transportado depois para Portugal por ventos de leste.
Calor começa logo de manhã
O calor poderá fazer-se sentir logo nas primeiras horas do dia. No domingo, várias regiões poderão aproximar-se ou ultrapassar os 30 ºC ainda antes do final da manhã, sinal de que o aquecimento começa cedo e se prolonga durante muitas horas.
Esta persistência aumenta o desconforto térmico, sobretudo em zonas urbanas, onde a capacidade de dissipar o calor é menor. Crianças, idosos, pessoas com doenças crónicas e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos que exigem maior atenção.
Episódio pode durar vários dias
A meteorologista Marta Godinho sublinha que o mais preocupante não é apenas a intensidade do calor, mas a sua duração. Os modelos meteorológicos indicam que a massa de ar muito quente poderá manter-se sobre a Península Ibérica até, pelo menos, 9 ou 10 de julho.
Mesmo que o núcleo mais quente se desloque ligeiramente para Espanha, Portugal poderá continuar a receber ar aquecido do interior espanhol, mantendo temperaturas elevadas em várias regiões do território continental.
Risco de incêndio também aumenta
Além dos impactos na saúde e no conforto da população, o cenário aumenta o perigo de incêndio rural. A combinação de temperaturas muito elevadas, baixa humidade, vegetação seca e vento pode criar condições favoráveis à ignição e propagação de incêndios.
A previsão ainda poderá sofrer ajustes, por se tratar de um cenário de médio prazo, mas a tendência tem sido consistente nas últimas atualizações dos modelos. Para já, o calor extremo deverá continuar a marcar o início de julho em Portugal.
Perante este cenário, a recomendação passa por evitar exposição solar nas horas de maior calor, reforçar a hidratação, procurar locais frescos e acompanhar os avisos oficiais. Em Lisboa, o calor deverá continuar a condicionar os próximos dias, com pouco alívio durante a noite e temperaturas muito acima do normal para a época.
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