O arranque desta semana vai marcar uma viragem clara no estado do tempo em Portugal continental. Depois de alguns dias relativamente amenos, influenciados pela passagem da depressão Francis, a circulação atmosférica muda de forma abrupta. Uma massa de ar polar começa a instalar-se já a partir de domingo, trazendo um cenário de frio intenso na segunda e terça-feira, dias 5 e 6 de janeiro, com temperaturas muito abaixo da média, vento cortante e a possibilidade de neve em algumas regiões.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, a descida térmica será particularmente acentuada entre domingo e segunda-feira, com quedas que, em alguns locais, podem atingir 10 a 12 graus em poucas horas. Em termos climatológicos, espera-se uma anomalia negativa generalizada, com valores até 8 ºC abaixo do normal para esta época do ano.
Anticiclone a oeste e ar polar a dominar
O padrão sinóptico previsto aponta para um anticiclone posicionado a oeste do território continental, em extensão até ao Golfo da Biscaia. Esta configuração favorece um fluxo persistente de norte, responsável pela entrada de ar muito frio e seco sobre o país.
Segundo explica o Luso Meteo, as temperaturas a cerca de 1500 metros de altitude poderão descer pontualmente aos 5 a 6 graus negativos, sobretudo na segunda-feira, em períodos sem precipitação. Este ar frio será responsável por madrugadas geladas, formação de geada e uma sensação térmica particularmente baixa, agravada pelo vento.
Segunda-feira será fria, seca e ventosa
Na segunda-feira, 5 de janeiro, o tempo deverá apresentar-se geralmente estável no continente. O céu estará pouco nublado ou limpo, com aumento temporário de nebulosidade no extremo norte e no interior, mas sem precipitação relevante.
O vento soprará de norte, moderado a forte no litoral e nas terras altas, com rajadas entre 60 e 80 km/h nos locais mais expostos. No interior, o vento será menos intenso, mas suficiente para tornar o frio mais desconfortável.
As temperaturas mínimas deverão ser negativas em grande parte do interior norte e centro, podendo atingir os 5 graus negativos em zonas mais frias. As máximas dificilmente ultrapassarão os 5 a 7 graus no interior norte e centro e os 8 a 10 graus no restante território, com exceção do Algarve, onde poderão chegar aos 13 a 15 graus. Em cidades como Lisboa, a temperatura real poderá rondar os 10 graus, mas a sensação térmica poderá descer para valores próximos dos 3 ou 4 graus.
Terça-feira traz instabilidade e reabre o cenário de neve
É na terça-feira, 6 de janeiro, que o cenário se torna mais interessante e incerto. Segundo a mesma fonte, uma depressão deverá deslizar pelo limite leste do anticiclone e mergulhar sobre o território, introduzindo precipitação a partir do final do dia, primeiro no norte e depois no centro.
Com o ar frio já instalado, esta precipitação poderá ocorrer sob a forma de neve em algumas regiões. As previsões atuais apontam para queda de neve inicialmente acima dos 400 metros no norte, com possibilidade de subida temporária da cota para os 800 ou 1000 metros. Ainda assim, existe potencial para neve a cotas relativamente baixas, abaixo dos 600 metros, embora pequenas variações no percurso da depressão possam alterar significativamente este cenário.
Durante o dia, o vento será mais fraco no interior e moderado no litoral, o que poderá reduzir ligeiramente o desconforto térmico face a segunda-feira, apesar de as temperaturas máximas poderem ser ainda mais baixas.
Arquipélagos com cenários distintos
Nos Açores, o anticiclone garante tempo relativamente estável, com céu nublado por vezes, mas sem precipitação significativa. As temperaturas deverão manter-se próximas da média, com vento fraco a moderado.
Na Madeira, o cenário é diferente. De acordo com o Luso Meteo, a segunda-feira será marcada por vento forte de nordeste, com rajadas significativas, sobretudo nas zonas montanhosas e expostas. Esta situação poderá causar constrangimentos na operação aérea. Na terça-feira, o vento tende a abrandar gradualmente, com uma descida ligeira das temperaturas.
Frio intenso pode prolongar-se
Apesar de alguma melhoria prevista para quarta-feira, os modelos não excluem novas descidas de temperatura mais à frente. Janeiro poderá continuar marcado por episódios frequentes de frio, vento e agitação marítima.
Para já, a certeza é uma: os dias 5 e 6 de janeiro trarão um dos episódios de frio mais marcantes deste início de ano, exigindo atenção redobrada a geadas, gelo e eventuais surpresas em altitude.
















