A liderança de famoso banco em Portugal prepara-se para mudar, numa altura em que já existe um nome definido para a presidência executiva, mas em que o processo permanece incompleto por depender da autorização do Banco de Portugal. A saída do atual CEO do Banco Montepio e a escolha do sucessor colocam a instituição num momento de transição acompanhado de perto pelo setor financeiro.
Em causa está o fim do mandato de Pedro Leitão e a indicação de José Azevedo Pereira para assumir a liderança do banco, numa decisão que ainda não foi formalizada publicamente e que aguarda validação do supervisor bancário.
Um processo decidido nos bastidores
De acordo com o portal de notícias ECO, Pedro Leitão não será reconduzido como presidente executivo do Banco Montepio, depois de o seu mandato ter terminado no final do ano passado. Apesar do silêncio público mantido pela Associação Mutualista Montepio, o dossiê da sucessão encontra-se fechado internamente.
Segundo a mesma fonte, o nome escolhido para liderar o banco é o de José Azevedo Pereira, ex-diretor da Autoridade Tributária e até há pouco tempo CEO do Eurobic, uma informação confirmada por duas fontes com conhecimento direto do processo.
O fim de um ciclo iniciado em 2020
Pedro Leitão assumiu a liderança do Banco Montepio em 2020 e foi reconduzido em 2022, mas o seu percurso chega agora ao fim, num contexto em que o acionista sinalizou reservas quanto ao desempenho do banco nos últimos anos.
Essas expectativas ficaram claras numa entrevista concedida por Virgílio Lima à agência Lusa, em novembro do último ano, onde o presidente da Associação Mutualista afirmou que o banco tem margem para gerar uma remuneração superior.
Dividendos no centro da avaliação
Na mesma entrevista, acrescenta a publicação, Virgílio Lima recordou que o Banco Montepio voltou a pagar dividendos após um longo período de interrupção, com a distribuição de seis milhões de euros em 2024, depois de mais de uma década sem qualquer remuneração.
Refere a mesma fonte que, apesar dessa evolução, o acionista espera um crescimento progressivo dos dividendos, acompanhando uma melhoria sustentada dos resultados e do desempenho global da instituição.
Um perfil com experiência em contextos complexos
José Azevedo Pereira apresenta um percurso marcado por funções de topo no setor público e financeiro. Foi diretor-geral da Autoridade Tributária entre 2007 e 2012, antes de transitar para a banca.
Segundo a mesma fonte, assumiu a liderança do Eurobic em 2020, substituindo Teixeira dos Santos num período de forte instabilidade, marcado pelo impacto do caso Luanda Leaks e pela saída de Isabel dos Santos da estrutura acionista.
A ‘palavra’ final cabe ao supervisor
Com a venda do Eurobic ao Abanca, no verão de 2024, José Azevedo Pereira deixou recentemente a presidência executiva do banco, ficando disponível para um novo desafio no setor financeiro, explica o site.
Ainda assim, conforme o ECO, a sua nomeação para o Banco Montepio depende da aprovação do Banco de Portugal, condição confirmada por Virgílio Lima, que aponta para abril como o momento em que poderão surgir novidades, após a apresentação das contas e a realização da assembleia geral.
















