O aumento do salário mínimo nacional em 2026 vai traduzir-se num acréscimo significativo dos encargos suportados pelas empresas por cada trabalhador que aufira a retribuição mínima. A subida do vencimento mensal para 920 euros brutos implica não só um reforço do valor pago diretamente ao trabalhador, como também um aumento automático das contribuições entregues à Segurança Social.
No total, as contas apontam para um custo adicional anual de pelo menos 866 euros por trabalhador, um valor que resulta da conjugação entre o novo salário mínimo e o agravamento da Taxa Social Única (TSU) a cargo das entidades empregadoras.
A decisão política por detrás da subida
De acordo com o portal de notícias ECO, a atualização do salário mínimo resulta do acordo de Concertação Social assinado em outubro de 2024 entre o Governo, as confederações empresariais e a UGT, que definiu uma trajetória de aumentos até 2028. Esse compromisso previa uma evolução gradual da retribuição mínima mensal garantida.
Segundo a mesma fonte, o Executivo liderado por Luís Montenegro concretizou agora esse entendimento através de uma portaria publicada recentemente, que fixa em 920 euros brutos o salário mínimo a vigorar em 2026, o que representa uma subida de 5,7% face aos 870 euros em vigor em 2025.
O impacto direto nos salários pagos
Considerando apenas o valor do vencimento, as empresas terão de pagar mais 50 euros por mês a cada trabalhador abrangido pelo salário mínimo. Escreve o portal que, num ano completo, este aumento corresponde a mais 700 euros, tendo em conta o pagamento em 14 meses.
Este acréscimo salarial é automático e transversal, aplicando-se a todos os contratos em que a remuneração esteja indexada ao salário mínimo, independentemente do setor de atividade ou da dimensão da empresa.
A fatura escondida da Segurança Social
Mas o impacto não se esgota no salário. Acrescenta a publicação que a subida do vencimento faz crescer o valor da Taxa Social Única suportada pelo empregador, fixada em 23,75% da remuneração bruta.
Em números concretos, conforme a mesma fonte, em 2025 as empresas pagavam cerca de 206,6 euros por mês à Segurança Social por cada trabalhador com salário mínimo. Em 2026, esse valor sobe para 218,5 euros, mais 11,9 euros mensais.
Ao longo de 14 meses, o aumento das contribuições sociais representa mais 166,25 euros por trabalhador, face ao que foi pago em 2025. Explica o site que este valor soma-se ao acréscimo salarial direto, elevando de forma significativa o custo total do posto de trabalho.
No total, escreve o ECO, um trabalhador continuará a receber 920 euros brutos por mês, mas a empresa passará a suportar um custo mensal de 1.138,5 euros, incluindo a TSU. Contas feitas, o encargo mensal sobe 61,9 euros e o custo anual aumenta 866,25 euros por trabalhador.
















