O despedimento de Ruben Amorim do Manchester United implica o pagamento de uma indemnização elevada, mas o montante que chegará efetivamente à conta do treinador português ficará bastante abaixo do valor inicialmente anunciado. Em causa está uma verba associada ao tempo de contrato que ainda faltava cumprir.
O vínculo entre o técnico e o clube inglês estava previsto terminar em junho de 2027. Sem acordo entre as partes, cenário que a imprensa britânica afasta, a rescisão obriga o Manchester United a compensar financeiramente o treinador de 40 anos.
Quanto vale o contrato que ficou por cumprir
De acordo com o jornal Correio da Manhã, o valor bruto da indemnização ascende a 11,6 milhões de euros, correspondendo aos salários que Ruben Amorim teria direito a receber até ao final do contrato. Trata-se de uma compensação automática prevista na legislação laboral inglesa.
Segundo a mesma fonte, este montante não será recebido na totalidade pelo treinador português. A legislação fiscal do Reino Unido aplica uma carga significativa sobre indemnizações deste tipo, reduzindo substancialmente o valor líquido.
Depois de aplicados os impostos devidos, Amorim deverá ficar com 6,3 milhões de euros. Ou seja, praticamente metade da indemnização ficará retida pelo Estado britânico. Acrescenta a publicação que esta diferença resulta das regras fiscais aplicáveis a pagamentos compensatórios, que variam consoante os escalões e a natureza do vínculo contratual, não sendo negociáveis pelo beneficiário.
Fatura do despedimento para o clube
Para além da indemnização paga ao treinador, o Correio da Manhã aponta que o Manchester United enfrenta custos adicionais associados à rescisão. O clube terá ainda de suportar cerca de um milhão de euros em contribuições para a Segurança Social.
Este encargo eleva o custo total do despedimento para valores bem superiores aos 11,6 milhões inicialmente apontados, num momento em que o clube atravessa um período de reorganização interna e instabilidade desportiva.
A decisão da direção não foi bem recebida pelo treinador, sobretudo tendo em conta declarações anteriores de Sir Jim Ratcliffe, que, em outubro, garantira três anos para recolocar a equipa no caminho das vitórias.
A tensão terá aumentado devido ao desgaste da relação entre Amorim e o diretor de futebol, Jason Wilcox, em particular por divergências relacionadas com a política de contratações e com a margem de decisão concedida ao treinador.
Divergências no mercado e na gestão do plantel
Segundo a RTP, os primeiros sinais de conflito surgiram no verão, quando Amorim indicou Ollie Watkins como prioridade para o ataque, mas viu o clube investir 75 milhões de euros em Benjamin Sesko, proveniente do Leipzig.
Acrescenta a estação pública que se seguiram desacordos em torno de Antoine Semenyo, considerado demasiado caro pelo treinador, e da utilização de jovens como Kobbie Mainoo, situação interpretada por Amorim como falta de alinhamento estratégico.
As palavras que agravaram o cenário
Na conferência de imprensa, o técnico foi claro quanto às suas expectativas. “Vim para ser manager do Manchester United, não apenas treinador. Vou continuar por mais 18 meses ou até a direção decidir mudar. Esse foi o acordo”, afirmou, citado pela RTP.
O treinador acrescentou que pretendia influência transversal nas decisões do clube e apontou dificuldades na gestão da pressão externa. No plano desportivo, Amorim deixa Old Trafford com 24 vitórias em 63 jogos, o sexto lugar na Liga inglesa e uma final da Liga Europa alcançada na última temporada.
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