As burlas associadas ao MB WAY continuam a evoluir em Portugal e estão agora a explorar uma situação que pode parecer inofensiva à primeira vista: receber dinheiro inesperadamente e, logo depois, ser pressionado a devolvê-lo. O alerta foi reforçado pela Polícia de Segurança Pública (PSP), que pede atenção máxima a este tipo de contacto e lembra que a pressa é precisamente uma das armas mais usadas pelos criminosos.
A PSP voltou a alertar, na quarta-feira, 22 de abril, para uma nova burla ligada ao MB WAY. O esquema começa com uma transferência inesperada e prossegue com uma mensagem, geralmente por WhatsApp, em que alguém alega ter enviado o valor por engano e pede a devolução imediata do dinheiro, de acordo com o Notícias ao Minuto.
Primeiro sinal de alerta aparece logo no contacto
Segundo a PSP, há um detalhe que deve levantar suspeitas desde o primeiro momento: o número que envia a mensagem a pedir a devolução não coincide com o número que fez a transferência. Esse desfasamento é um dos principais indícios de que a situação pode fazer parte de um esquema ilícito e não de um erro genuíno.
A explicação deixada pelas autoridades é simples. Se a vítima devolver o montante para um contacto diferente daquele que surgiu na operação inicial, pode estar, sem o saber, a ajudar a movimentar dinheiro de origem criminosa. A PSP e a DECO PROteste alertam que esta devolução pode servir para apagar o rasto da transação e transformar o destinatário numa peça involuntária de um circuito de branqueamento de capitais.
Problema não está no MB WAY
A PSP sublinha que o sistema MB WAY é seguro, mas que a vulnerabilidade explorada nestes casos é a engenharia social, ou seja, a manipulação psicológica da vítima através da urgência, da pressão e da aparência de normalidade. É isso que leva muitas pessoas a agir por impulso antes de confirmar o que realmente aconteceu.
O funcionamento normal do serviço ajuda a perceber porquê. No MB WAY, enviar dinheiro implica escolher um contacto, indicar o valor e confirmar a operação com PIN.
Já na funcionalidade “Pedir Dinheiro”, a pessoa visada recebe uma notificação e só depois de aprovar o pedido é que o dinheiro é transferido. Ou seja, introduzir PIN serve para autorizar operações, não para “receber” dinheiro caído do nada, de acordo com a mesma fonte.
Há outro truque que também está a ser usado
Além da falsa devolução por WhatsApp, a PSP chamou a atenção para outro método. Os burlões recorrem à função “Pedir Dinheiro” e mascaram o pedido com mensagens enganosas, tentando convencer a vítima de que está apenas a confirmar um depósito. Na prática, se a pessoa introduzir o PIN nessa operação, não está a receber dinheiro: está a autorizá-lo a sair da sua conta.
Este ponto é importante porque coincide com o modo normal de utilização do MB WAY. A plataforma explica que os pedidos de dinheiro surgem como notificações que têm de ser aceites pelo utilizador para que a transferência aconteça. É precisamente essa mecânica legítima que os burlões tentam distorcer com textos falsos e mensagens alarmistas.
O que fazer se receber uma transferência suspeita
A recomendação da PSP, de acordo com o Notícias ao Minuto, é clara: não devolver o dinheiro diretamente, cortar o contacto com quem está a pressionar a vítima e ligar de imediato ao banco para pedir orientação. As autoridades aconselham ainda a guardar capturas de ecrã, comprovativos e registos de conversa, e a apresentar denúncia formal junto da PSP.
Também a DECO PROteste insiste na mesma linha: quem receber dinheiro inesperado não deve agir sem falar primeiro com a instituição bancária. A entidade lembra que o MB Way nunca pede códigos para receber dinheiro e avisa que qualquer pedido de interação desse género deve ser encarado como sinal de burla.















