O consumo de proteína de origem animal ou vegetal produz resultados muito semelhantes no aumento da proteína muscular da maioria das pessoas, mas um estudo realizado por investigadores portugueses concluiu que essa realidade muda a partir dos 65 anos. Nessa faixa etária, a proteína animal revelou uma ligeira vantagem na estimulação da síntese proteica muscular.
De acordo com a agência de notícias Lusa, as conclusões resultam de uma meta-análise conduzida pelo Laboratório de Função Neuromuscular da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.
O que analisou o estudo
A investigação comparou 12 estudos científicos dedicados ao impacto da ingestão de proteína animal e vegetal no músculo esquelético. A análise teve em conta diferentes grupos etários, períodos de observação e também situações em que a alimentação foi combinada com treino de força. Os resultados mostraram que, entre os participantes mais jovens, as diferenças entre os dois tipos de proteína foram praticamente inexistentes.
A meta-análise envolveu um total de 303 participantes, dos quais 121 tinham mais de 65 anos. Foi precisamente neste grupo que surgiram diferenças mais evidentes na resposta muscular ao consumo de proteína.
Explicação está num aminoácido
Em declarações à Lusa, o orientador do estudo, Gonçalo Vilhena de Mendonça, explicou que a principal diferença está relacionada com a leucina, um aminoácido presente em maior quantidade nas proteínas de origem animal. Segundo o investigador, este composto desempenha um papel relevante na estimulação da produção de proteína muscular.
“E a partir de determinada idade (…) é preciso aumentar um bocadinho mais essa quantidade de leucina que é ingerida para estimular ao acréscimo de proteína no músculo esquelético”, afirmou. O investigador acrescentou que, quando os idosos consomem proteínas com menor teor deste aminoácido, “o músculo responde de uma forma diferente”.
Nos mais novos, os resultados são semelhantes
Os investigadores concluíram que a origem da proteína tem pouca influência na síntese proteica muscular em adultos mais jovens. Mesmo quando associada ao treino de força, a proteína vegetal apresentou uma eficácia semelhante à proteína animal no estímulo ao crescimento e manutenção da massa muscular.
Esta conclusão poderá ser relevante para pessoas que seguem regimes alimentares vegetarianos ou que procuram alternativas às proteínas tradicionalmente utilizadas em suplementos desportivos.
Vantagens da proteína vegetal
Além dos resultados observados no estudo, Gonçalo Vilhena de Mendonça destacou algumas vantagens associadas às proteínas de origem vegetal. Conforme a mesma fonte, estes suplementos tendem a apresentar preços mais baixos quando comparados com muitas opções de origem animal.
“A proteína vegetal, pelo menos a que é comercializada em forma de suplemento, é normalmente mais barata do que a de origem animal”, explicou o investigador. Acrescentou ainda que esta opção é mais sustentável do ponto de vista ambiental e compatível com dietas vegetarianas.
Alternativa para algumas pessoas
O estudo recorda também que existem consumidores que enfrentam limitações no consumo de determinadas proteínas animais. O investigador lembrou que muitas pessoas apresentam intolerância à lactose, o que pode dificultar a utilização de suplementos derivados do leite.
“Há uma série de pessoas que têm intolerância à lactose. E a proteína do soro do leite, a whey, deriva do leite e, portanto, não é o ideal para pessoas que são intolerantes à lactose”, referiu.
O que concluem os investigadores
A principal conclusão da investigação é que a escolha entre proteína animal e vegetal não parece fazer diferença significativa para a maioria dos adultos mais jovens no que respeita à síntese proteica muscular. Já entre os maiores de 65 anos, a maior concentração de leucina presente nas proteínas animais poderá proporcionar uma resposta muscular ligeiramente superior.
Os resultados agora divulgados ajudam a esclarecer um debate frequente sobre a eficácia das diferentes fontes de proteína e sugerem que a idade pode ser um fator determinante na resposta do organismo a cada uma delas.
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