O acidente ferroviário entre dois comboios de alta velocidade em Espanha teve pelo menos 41 vítimas mortais, mas entre os sobreviventes está um cidadão português que seguia numa das carruagens atingidas. Santiago, passageiro num comboio da Renfe, escapou com ferimentos ligeiros a um choque ocorrido em Adamuz, na província de Córdoba, e tornou público o seu testemunho a partir do hospital, onde foi assistido após o descarrilamento.
O português viajava acompanhado pela namorada e encontrava-se na carruagem um quando se deu o embate. Num vídeo divulgado nas redes sociais, relatou os momentos imediatamente após o impacto e confirmou que ambos sobreviveram, apesar do cenário descrito como caótico, marcado por feridos graves e vítimas mortais no local.
Testemunho gravado no hospital
“Sou o Santiago, um dos sobreviventes da carruagem um do comboio com destino a Huelva”, afirmou no vídeo publicado no dia seguinte ao acidente. Segundo o próprio, o choque provocou uma sensação de descontrolo total dentro da composição, com passageiros projetados no interior das carruagens.
“Comecei a voar pela carroça e parecia que estava num carrossel”, disse ainda, descrevendo a violência do impacto. O passageiro acrescentou que sofreu fraturas na tíbia e no perónio, lesões consideradas ligeiras face à dimensão da tragédia, sublinhando que a namorada também escapou sem ferimentos graves.
Cenário descrito como infernal
“Foi um acidente muito trágico, parecia um inferno”, declarou Santiago, referindo-se às condições encontradas após o descarrilamento. Segundo o mesmo relato, havia passageiros em estado crítico e corpos visíveis entre os destroços, uma imagem que diz não esquecer.
“Por sorte, estou vivo. A minha namorada também está bem”, afirmou, acrescentando que a sobrevivência lhe pareceu inexplicável naquele momento. No mesmo vídeo, sublinhou ter testemunhado “muita morte” no local, numa referência direta às consequências imediatas da colisão.
Apelo depois do choque
Ainda a partir do hospital, o sobrevivente revelou estar vivo por “milagre” e deixou uma mensagem pessoal após o acidente. “Há que viver a vida porque a vida é curta”, afirmou, num apelo que surgiu depois de relatar o impacto físico e emocional do choque ferroviário.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que, entre os passageiros envolvidos no acidente, estavam dois cidadãos portugueses, ambos com vida, informação prestada no dia seguinte ao descarrilamento.
O que se sabe sobre as vítimas mortais
Sabe-se que o número de mortos subiu de 40 para 41 após a descoberta de um corpo sob os destroços de um dos comboios. Segundo a agência espanhola EFE, fontes próximas da investigação indicaram que o corpo foi localizado na zona do comboio Iryo, uma das composições envolvidas no acidente.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, confirmou também a existência de mais corpos entre os destroços do comboio Alvia, que estavam a ser removidos pelas equipas de socorro, conforme a mesma fonte.
Hipótese técnica em investigação
As causas do acidente continuam sob investigação, mas já foi identificada uma possível falha na infraestrutura ferroviária. Segundo a agência de notícias Reuters, os técnicos encontraram uma junta de carril partida no local do descarrilamento, apresentando sinais de desgaste anterior ao acidente.
A mesma fonte explica que essa junta defeituosa criava uma abertura entre duas secções do carril, aumentando progressivamente com a passagem repetida de comboios de alta velocidade, podendo estar na origem do descarrilamento simultâneo das composições.
















