A nova ligação ferroviária entre Évora e Elvas/Caia (fronteira com Espanha) já tem a via e a catenária concluídas e a subestação operacional, mas os comboios de mercadorias e passageiros só deverão começar a circular no final de 2026 ou no início de 2027, por ainda faltar sinalização e certificação de segurança.
O anúncio foi feito pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, após uma deslocação de inspeção ao novo traçado, onde sublinhou que a obra física está terminada, mas que o sistema ainda precisa de testes e validação antes de abrir ao serviço.
Citado pelo Notícias ao Minuto, o governante pediu cautela para “não criar falsas expectativas”, explicando que o prazo adicional se deve aos trabalhos que garantem que a operação decorre com padrões de segurança exigidos para a exploração ferroviária.
O que está pronto e o que falta para haver comboios
Segundo Miguel Pinto Luz, a componente de infraestrutura pesada, via e catenária, está concluída, incluindo a maior subestação a alimentar catenária em ferrovia em Portugal, já em funcionamento.
O que falta, disse, é “mais um ano” para concluir a sinalização e para assegurar a certificação em termos de segurança, etapas indispensáveis antes de permitir a circulação regular de comboios nesta ligação ferroviária.
Por isso, o calendário apontado pelo Governo coloca o arranque efetivo da circulação no final deste ano ou no princípio de 2027, tanto para mercadorias como para passageiros.
Investimento, velocidade e impacto no Corredor Internacional Sul
A Linha de Évora insere-se no futuro Corredor Internacional Sul e implicou um investimento de “quase 460 milhões de euros”, enquadrado no programa Ferrovia 2020.
O ministro destacou que é a primeira linha em Portugal capacitada para 250 km/h, uma característica associada sobretudo ao potencial para serviços rápidos (e a uma futura evolução do corredor), ainda que o uso final dependa da operação que vier a ser implementada.
Do ponto de vista logístico, o Governo aponta uma vantagem clara para Sines: o novo traçado permitirá reduzir cerca de 140 km no percurso que os comboios de mercadorias faziam na saída do porto, aproximando-o de Espanha e encurtando tempos de viagem.
O que pedem os municípios e a meta para Madrid
O ministro reconheceu que a obra foi “muito penalizadora” para os municípios atravessados e afirmou que o Governo está a trabalhar numa estação técnica reivindicada pela região, para que o corredor não seja apenas “ver passar comboios”, mas gere atividade económica local.
De acordo com o Notícias ao Minuto, e no plano ibérico, Miguel Pinto Luz referiu como objetivo global “chegar em 2034 a Madrid em três horas” e que, já em 2028/2030, poderá ser possível fazer a ligação em “cinco horas e meia”, tanto em mercadorias como em passageiros, face ao que era possível antes desta linha.
Para já, a linha é em bitola ibérica, como do lado espanhol, mas o ministro lembrou que existe um acordo com Espanha, alinhado com a Comissão Europeia, para migração futura para a bitola europeia quando ambos os lados estiverem prontos para a solução final.
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