O país quer acelerar a emissão de vistos para um grupo específico de profissionais ligados à inteligência artificial, no âmbito de um plano mais vasto de medidas públicas para este setor. A iniciativa integra a Agenda Nacional de IA, já publicada em Diário da República, e prevê mudanças no regime de acolhimento de talento altamente qualificado.
O objetivo passa por responder à escassez de competências nacionais em áreas críticas da inteligência artificial (IA) e criar condições para atrair investigadores e especialistas estrangeiros, num contexto de transformação tecnológica acelerada e competição internacional por recursos humanos qualificados.
Um plano com impacto económico assumido
De acordo com o portal de notícias ECO, a Agenda Nacional de IA reúne 32 medidas e representa um investimento superior a 400 milhões de euros, maioritariamente financiado por fundos europeus, com impacto reduzido no Orçamento do Estado. O plano é liderado pelo Ministério da Reforma do Estado.
Segundo a mesma fonte, o Governo estima que a implementação destas medidas possa acelerar a economia portuguesa em 2,7 pontos percentuais, o equivalente a um impacto entre 18 e 28 mil milhões de euros, num cenário de rápida automação e adoção de IA generativa.
Vistos acelerados para talento em IA
Escreve o jornal que uma das medidas centrais passa pela criação de um regime acelerado de vistos para investigadores e profissionais altamente qualificados em áreas de inteligência artificial consideradas críticas e com falta de talento nacional.
Acrescenta a publicação que este mecanismo, designado pelo Executivo como AI Fast Track, deverá ser implementado no segundo semestre do ano e envolverá a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), à semelhança de outros regimes já existentes.
Um modelo ainda por detalhar
Questionado sobre a operacionalização concreta deste novo tipo de visto, o Ministério da Reforma do Estado indicou que os detalhes serão divulgados apenas no segundo semestre de 2026, em linha com o plano de ação da agenda.
Atualmente, explica o site, já existe um regime de vistos acelerados, com prazos até 20 dias, destinado à captação de trabalhadores por empresas que cumpram determinados requisitos, embora este novo modelo seja direcionado a perfis específicos em IA.
Plataforma nacional para ligar talento e empresas
Segundo o ECO, o Governo pretende ainda desenvolver uma plataforma nacional de emprego dedicada à inteligência artificial, com o objetivo de ligar estudantes, investigadores e profissionais a empresas nacionais, startups e à Administração Pública.
A mesma fonte refere que o envolvimento de entidades, como o IAPMEI, sugere que esta plataforma poderá funcionar também como instrumento de atração de talento estrangeiro, reforçando o ecossistema tecnológico nacional.
Reforço do investimento académico e científico
A Agenda Nacional de IA prevê igualmente a criação de suplementos financeiros para doutoramentos e projetos de investigação em áreas de responsabilidade da inteligência artificial, com enfoque em abordagens interdisciplinares. Acrescenta a publicação que as áreas prioritárias incluem justiça social, ética da tecnologia, psicologia cognitiva, economia da IA e auditoria de algoritmos, cruzando engenharia com ciências sociais e humanas.
O plano inclui ainda iniciativas destinadas a fomentar o interesse público e juvenil pela inteligência artificial. Entre elas está a criação da Semana Nacional da Inteligência Artificial, a partir do segundo semestre de 2026. Segundo a mesma fonte, está igualmente prevista a campanha Geração IA, orientada para inspirar jovens a seguir percursos académicos e profissionais no setor tecnológico, abrangendo todo o território nacional.
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