A reciclagem de embalagens provenientes da recolha seletiva aumentou apenas 1% no primeiro semestre de 2026, um ritmo que a Sociedade Ponto Verde (SPV) considera insuficiente para Portugal cumprir as metas europeias.
Entre janeiro e junho, foram encaminhadas para reciclagem 233.065 toneladas de embalagens recolhidas nos ecopontos, mais 2.071 toneladas do que no mesmo período do ano anterior. A evolução do vidro foi igualmente limitada a 1%, situação que continua a preocupar a entidade.
A SPV defende, por isso, um reforço urgente da recolha seletiva e da triagem, alertando que o aumento do financiamento do sistema ainda não se refletiu numa melhoria do serviço prestado no terreno.
“Metade do ano já passou e os números mostram que, se continuarmos neste caminho, estaremos perante mais um ano em que não conseguiremos cumprir as metas de reciclagem de embalagens. O sistema continua a responder abaixo do seu potencial e aquilo que falta, neste momento, é agir no terreno. É imperativo transformar o investimento já realizado em melhores resultados na recolha seletiva e na triagem para conseguirmos aumentar a reciclagem de embalagens”, afirma a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais.
Portugal tem atualmente de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado. Em 2025, o País registou uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, ficando abaixo do objetivo exigido a nível europeu.
Para a Sociedade Ponto Verde, o principal desafio continua a residir na eficiência da recolha seletiva e da triagem. A entidade considera que o esforço pedido aos consumidores deve ser acompanhado por um serviço mais acessível, regular e conveniente.
“Os cidadãos têm vindo a ser chamados a participar e a separar corretamente as suas embalagens. Mas também esperam encontrar um serviço com mais qualidade e conveniência, com ecopontos mais acessíveis, disponíveis, limpos e recolhidos com regularidade. A verdade é que o sistema está a ser financiado, mas esse investimento continua sem se traduzir numa melhoria de serviço que é urgente e necessária”, acrescenta Ana Trigo Morais.
Financiamento deverá atingir 237 milhões de euros
O investimento no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens tem sido reforçado, aumentando a capacidade financeira dos sistemas municipais, multimunicipais e concessionários responsáveis pela recolha seletiva.
O financiamento assegurado pela SPV e pelas restantes entidades gestoras deverá atingir cerca de 237 milhões de euros em 2026, mais 25 milhões do que em 2025.
No ano passado, o sistema recebeu um reforço de 90 milhões de euros através dos valores pagos pelas empresas embaladoras, alcançando um total de 212 milhões.
Apesar desse aumento, a SPV considera que os resultados continuam aquém do esperado e defende que os recursos disponíveis devem ser traduzidos em melhorias efetivas na recolha e no tratamento das embalagens usadas.
Entre os diferentes materiais, o papel e o cartão registaram um crescimento de 5%, enquanto a reciclagem de alumínio aumentou 7%.
As embalagens de cartão para alimentos líquidos permaneceram 1% abaixo do resultado obtido no período homólogo. Nos plásticos, verificou-se uma quebra global, explicada sobretudo pela redução da categoria de outras embalagens de plástico.
Em sentido contrário, o filme plástico aumentou 8%, o polietileno de alta densidade, utilizado em embalagens como frascos de detergente ou champô, cresceu 3%, e o PET, usado nas garrafas de bebidas, avançou 6%.
SPV pede mais tecnologia e transparência na recolha
A Sociedade Ponto Verde defende que a prioridade deve passar pela modernização do sistema e pelo reforço da eficiência operacional, através da utilização de tecnologia em todas as fases do processo.
A entidade propõe soluções de proximidade adaptadas às necessidades da população e às características de cada território, assim como uma maior transparência nos sistemas de recolha e triagem.
Entre as medidas sugeridas estão a instalação de ecopontos com sensores, a criação de modelos de recolha porta a porta mais eficientes e a adoção de sistemas pay as you throw, nos quais o pagamento está associado à quantidade de resíduos produzida.
A SPV recorda que investiu, ao longo dos seus 30 anos de atividade, cerca de 19,4 milhões de euros em inovação e investigação e desenvolvimento, com o objetivo de criar novas soluções para o setor.
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