Na costa portuguesa, os incidentes com orcas estão a tornar-se cada vez mais frequentes e a preocupar autoridades, velejadores e empresários ligados ao mar. Só na última semana foram registados seis acidentes envolvendo veleiros, um dos quais acabou por afundar após a interação com estes animais marinhos.
De acordo com a SIC Notícias, o caso mais grave ocorreu quando um grupo de amigos seguia de Oeiras para Sesimbra. A embarcação, atingida no leme logo no primeiro impacto, perdeu o controlo e começou a meter água. Apesar da impotência sentida a bordo, todos conseguiram sair a tempo com a ajuda de pequenas embarcações turísticas que se encontravam na zona. O barco acabou por ir ao fundo, representando um custo superior a 10.000 euros para o clube proprietário, que ainda terá de arcar com as despesas de remoção.
Um comportamento cada vez mais disseminado
Segundo a mesma fonte, este ano já se contabilizaram perto de 60 encontros com orcas em águas portuguesas. Apesar de apenas uma pequena parte ter resultado em naufrágios, o número de registos está a crescer. Só na última semana foram assinalados seis incidentes ao largo da Costa da Caparica, Cascais, Algarve e Peniche.
Escreve a SIC Notícias que os primeiros episódios de contacto com lemes foram registados em 2020, inicialmente atribuídos à curiosidade de alguns juvenis. Mariana Sequeira, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, explicou à mesma fonte que este comportamento acabou por se propagar dentro do grupo. O que começou com três jovens orcas é agora replicado por cerca de metade da população local, composta por 40 animais.
As razões por detrás das investidas
Acrescenta a publicação que os biólogos descrevem o leme como uma espécie de brinquedo para estes animais. O facto de ser uma parte móvel da embarcação e de produzir ruído atrai a atenção das orcas, que encaram a interação como um jogo. Élio Vicente, biólogo, sublinha ainda que os humanos estão a navegar no habitat natural destes animais, pelo que o comportamento deve ser entendido dentro desse contexto.
Rui Rosa, também biólogo, considera “improvável” que as orcas estejam a agir de forma agressiva. O investigador lembra que as orcas “podem atingir até 11 toneladas”, pelo que qualquer manifestação de agressividade teria consequências de maior escala.
Impactos no turismo e na náutica
O fenómeno já começa a ter repercussões económicas, sobretudo nas empresas que dependem de passeios marítimos ou aluguer de embarcações. Fernando Sá, proprietário de uma escola náutica, revelou ter sentido uma quebra no negócio desde que as interações passaram a ser mais comuns.
Conforme a mesma fonte, algumas saídas foram proibidas, nomeadamente da Barra do Tejo, para evitar riscos. Além disso, tem-se registado uma diminuição no número de embarcações estrangeiras que atravessam esta zona a caminho do Algarve. O receio leva também a que alguns percursos tradicionais de verão estejam a ser alterados ou cancelados.
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