O aumento do preço dos combustíveis tem afetado diretamente o setor da pesca em Portugal. De acordo com o Correio da Manhã, Paulo Comboio, pescador e vice-presidente da Associação Mútua de Armadores de Pesca de Peniche, explica que “é preciso pensar muito bem como se gasta o combustível”, refletindo a necessidade de adaptar a atividade à crise petrolífera e aos custos elevados.
Durante a sua rotina, a embarcação “Comboio” permanece muitas vezes parada no mar para economizar gasóleo. “Passo a noite no mar, mas o barco costuma estar sempre parado”, conta o pescador, referindo que faz menos milhas atualmente para reduzir despesas e gerir melhor os recursos da frota.
Custos elevados e apoios temporários
A última vez que abasteceu a embarcação foi em meados de fevereiro, quando carregou 10.000 litros de gasóleo a 56 cêntimos por litro. Acrescenta a publicação que a despesa total atingiu 5.600 euros, num cenário em que o preço do gasóleo colorido aumentou cerca de 50% desde o início do conflito no Médio Oriente.
Segundo a mesma fonte, o Governo aprovou um apoio extraordinário temporário, válido entre 1 de abril e 30 de junho, de 10 cêntimos por litro no gasóleo utilizado pelos pescadores, três semanas após o primeiro aumento de preços. “Tive colegas que pagaram 0.98 por litro”, recorda Paulo Comboio, exemplificando a disparidade no custo do combustível.
Preço do peixe e mercado
Para o pescador, a subida do preço do pescado nas bancas não se justifica com base na safra atual. “O peixe que pesco é relativamente barato”, assegura, acrescentando que, “nos últimos dez anos, tem sido quase sempre o mesmo preço”. Refere ainda que “o preço do pescado não depende de nós”.
O Correio da Manhã tentou obter esclarecimentos junto da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) sobre medidas de fiscalização relativamente à inflação do peixe, mas não obteve resposta da entidade.
Quotas e previsão da sardinha
A época da sardinha aproxima-se e será capturada através da técnica das traineiras, a mesma utilizada pela embarcação de Paulo Comboio.
Conforme a mesma fonte, a safra poderá começar no início de maio, depois de ter sido suspensa a 2 de dezembro do ano passado, com limites de captura que poderão ser inferiores aos 34.406 toneladas registadas no ano anterior.
O pescador alerta para a possibilidade de redução das quotas em até 3.000 toneladas face ao ano anterior, o que poderá levar a um aumento do preço do peixe vendido aos comerciantes, ultrapassando os valores praticados no último ano, entre 80 cêntimos e um euro por quilo.
Sustento da frota e desafios diários
A embarcação de Paulo Comboio garante emprego a 18 trabalhadores, de quem o pescador não consegue prescindir. “Se noutros tempos um bom dia significava pescar entre 15 e 20 toneladas, hoje um bom dia será sobretudo aquele em que o preço do gasóleo baixar”, refere o próprio, destacando a dependência do setor face ao combustível e aos custos operacionais.
Apesar das dificuldades, Paulo Comboio mantém a rotina e adapta a gestão da embarcação à realidade atual. Segundo a mesma fonte, a experiência acumulada permite-lhe otimizar a viagem pelo mar, evitando gastos desnecessários e mantendo a operação sustentável dentro das limitações do mercado.
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