O preço do passe Navegante, que permite circular em toda a Área Metropolitana de Lisboa, vai manter-se inalterado em 2026, prolongando uma “política de congelamento tarifário” que tem vindo a marcar a mobilidade na região desde 2019. A decisão confirma que quem paga atualmente 40 euros por mês continuará a fazê-lo no próximo ano, num contexto em que o transporte público ganha peso crescente nas escolhas diárias da população.
A mesma estabilidade aplica-se ao Navegante Municipal, cujo valor permanece nos 30 euros mensais, garantindo deslocações dentro de um único concelho da área metropolitana.
Esta manutenção dos preços surge numa altura em que os indicadores de procura reforçam a centralidade do passe como instrumento-chave da política de mobilidade em Lisboa.
Preços congelados num cenário de maior procura
De acordo com o jornal Expresso, a informação foi avançada pela Transportes Metropolitanos de Lisboa, que associa o congelamento tarifário a um reforço consistente do investimento público no setor. A entidade sublinha que esta opção não resulta de uma medida isolada, mas de uma estratégia continuada com impactos mensuráveis.
Segundo a mesma fonte, os números ajudam a ilustrar essa mudança estrutural. Em 2019, primeiro ano do Navegante, foram carregados cerca de seis milhões de passes. Em 2024, esse valor ultrapassou os 11 milhões, representando um crescimento acumulado de 75% em cinco anos.
Um regresso claro ao transporte público
A evolução manteve-se em 2025. Escreve o jornal que, até setembro, já tinham sido vendidos nove milhões de passes, superando o total registado em todo o ano de 2019. Para a TML, estes dados demonstram que o transporte público voltou a ocupar um lugar central nas decisões de mobilidade da população da região.
Acrescenta a publicação que este aumento não se limita aos utilizadores frequentes. Atualmente, cerca de 90% das viagens realizadas na Área Metropolitana de Lisboa são feitas com passe Navegante, incluindo deslocações ocasionais, o que revela uma alteração profunda nos hábitos de deslocação.
Financiamento e visão de longo prazo
Refere o Expresso que a sustentabilidade do modelo assenta no financiamento público assegurado por programas específicos. Entre 2019 e 2023, os passes foram suportados pelo Programa de Apoio à Redução Tarifária, tendo este sido reforçado desde 2024 com o programa Incentiva + TP.
Este enquadramento permite planear o investimento com uma lógica plurianual, garantindo previsibilidade tanto para os operadores como para os utilizadores, ao mesmo tempo que protege os preços de oscilações anuais.
Reforma que mudou o sistema
A TML recorda ainda que o lançamento do Navegante representou uma transformação estrutural do sistema tarifário. Antes de 2019, existiam 7.746 tipologias diferentes de passes, marcadas por uma forte fragmentação territorial, o que dificultava a utilização integrada dos transportes públicos.
Com a simplificação do modelo e a estabilização dos preços, o passe passou a funcionar como um elemento agregador do sistema de mobilidade. A manutenção dos valores em 2026 surge, assim, como continuidade de uma reforma que redefiniu a forma como milhares de pessoas circulam diariamente na região de Lisboa.
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