Mais de 100 pessoas dizem ter sido lesadas depois de comprarem viagens através da agência Horizonte Fácil, em Almada, num caso que está agora nas mãos do Ministério Público. Entre os clientes está Marlene Silva, que pagou 1.860 euros para viajar até Palma de Maiorca, mas ficou sem a viagem e sem o dinheiro entregue como sinal.
Os casos terão ocorrido ao longo dos últimos dois anos e envolvem clientes de diferentes pontos do país. Famílias e grupos de amigos entregaram milhares de euros para viagens que acabaram por não se realizar, enquanto as tentativas de recuperar os valores pagos se multiplicaram. “O meu desespero é imenso. Quero o dinheiro”, contou Marlene ao Correio da Manhã.
Viagens marcadas, dinheiro entregue e planos cancelados
Entre os lesados está também José Castro, residente em Fafe, que tinha planeado uma viagem para a Guatemala e Belize com outras sete pessoas. O grupo terá desembolsado cerca de 24.000 euros para a viagem prevista para a Páscoa do ano passado.
“De repente vimos tudo ir por água abaixo”, relatou ao jornal. O cliente diz ter tentado contactar as duas pessoas a quem comprou a viagem, mas sem conseguir resolver a situação. Segundo a mesma fonte, José Castro ficou particularmente revoltado depois de perceber que a proprietária da agência se encontrava de férias no Dubai quando os clientes tentavam perceber o que tinha acontecido.
Também Alice Freitas, da Póvoa de Varzim, afirma ter perdido 7.680 euros relativos a uma viagem para Cabo Verde destinada a seis pessoas, três casais, marcada para setembro de 2025. A cliente acusa um funcionário da agência de apresentar sucessivas justificações para explicar a situação.
Clientes dizem ter recebido justificações
No caso de Marlene, as explicações dadas pela agência terão incluído problemas de saúde. A cliente afirma que Paulo, funcionário a quem comprou a viagem, chegou a enviar imagens de um cateter numa mão, alegando estar perante uma doença oncológica.
Marlene diz, contudo, que essas justificações eram falsas e acusa os responsáveis pela agência de terem vendido viagens sem intenção de as concretizar. “Vendia viagens com intuito de roubar as pessoas”, afirmou ao Correio da Manhã. A cliente acrescentou que acredita que a Justiça poderá permitir recuperar o dinheiro perdido.
Caso está agora nas mãos do Ministério Público
As pessoas que dizem ter sido lesadas já apresentaram queixa às autoridades. O processo está atualmente sob investigação do Ministério Público, depois de terem sido reunidos relatos de vários clientes que afirmam ter ficado com prejuízos financeiros.
O mesmo jornal refere ainda que Paulo e Cláudia, apontados pelos clientes como responsáveis pela agência, mantinham uma relação amorosa que entretanto terminou. A Horizonte Fácil encerrou a atividade nas Finanças em julho, segundo a mesma publicação.
Funcionário nega ter ficado com dinheiro
Paulo rejeita, contudo, as acusações de burla. Contactado telefonicamente pela publicação, afirmou que não enganou os clientes e atribuiu a situação à gestão da empresa por parte de Cláudia.
“A culpa é da Cláudia que não soube gerir a empresa. Eu estou de consciência tranquila. Não utilizei um único cêntimo em benefício próprio”, afirmou. O funcionário disse ainda estar a tentar ajudar alguns clientes a recuperar os valores que perderam.
Cláudia não respondeu às duas tentativas de contacto, nem devolveu as chamadas, pelo que não apresentou a sua versão dos acontecimentos. Enquanto o processo segue para apuramento das responsabilidades, os clientes continuam a reclamar os montantes que entregaram para viagens que não chegaram a acontecer.
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