As cheias associadas às depressões Leonardo e Marta deixaram várias zonas sob pressão e, nas redes sociais, surgiu um episódio tão impressionante quanto perigoso: um grupo de surfistas aproveitou a abertura da Lagoa de Albufeira ao mar para surfar a corrente, mas um deles acabou arrastado para o oceano.
O fenómeno aconteceu num contexto de precipitação intensa, avisos meteorológicos e alertas para inundações, derrocadas e agitação marítima, com a Proteção Civil a reforçar o apelo à prudência em zonas ribeirinhas e costeiras.
Apesar de alguns relatos internacionais, como é o caso do jornal espanhol AS, apontarem para “Albufeira”, no Algarve, as publicações e vídeos partilhados por intervenientes e meios locais identificam o local como a Lagoa de Albufeira, no concelho de Sesimbra (distrito de Setúbal).
Uma lagoa que abriu ao mar
A Lagoa de Albufeira liga-se ao Atlântico através de um canal junto ao cordão dunar; quando essa ligação se abre, a descarga de água pode acelerar e ganhar força considerável, criando correntes rápidas e difíceis de contrariar.
Foi essa dinâmica que atraiu vários surfistas, entre eles o português Luís Perloiro, que descreveu nas redes sociais a dimensão do caudal: “Acho que nunca vi tanta água a mexer… A lagoa de Albufeira abriu (…) ao mar…”.
Nas imagens, a “onda” forma-se no escoamento e a diversão dura pouco: a corrente acaba por dominar, e um dos surfistas é visto a perder o controlo e a ser levado na direção de mar aberto, enquanto quem filma reage com surpresa.
Proteção Civil pede cautela
O episódio viral surge numa altura em que as autoridades têm vindo a alertar para riscos acrescidos, desde cheias rápidas em meio urbano a deslizamentos de terras, devido à saturação dos solos e à persistência de chuva e vento.
O “comboio” de tempestades deste inverno tem provocado danos relevantes e respostas de emergência, com impacto acumulado desde a depressão Kristin e novas ocorrências associadas às depressões seguintes, incluindo Leonardo e Marta.
Em cenários de cheia, especialistas e entidades de proteção civil insistem num princípio simples: canais de drenagem, ribeiras e barras de lagoas podem parecer “surfáveis”, mas escondem correntes de retorno e zonas de sucção que tornam a saída difícil, mesmo para nadadores experientes.
Criatividade ou imprudência?
Para a comunidade do surf, episódios destes alimentam o debate: há quem veja criatividade e capacidade de leitura da água; outros sublinham que, em contexto de crise, o risco se multiplica e pode mobilizar meios de socorro já sobrecarregados.
A Lagoa de Albufeira é, em condições normais, um local conhecido para desportos náuticos e atividades ao ar livre, mas a abertura ao mar e o comportamento do canal variam e podem tornar-se perigosos quando há precipitação extrema.
Com previsões de instabilidade e avisos meteorológicos emitidos em vários distritos durante a passagem destas depressões, a recomendação das autoridades mantém-se: acompanhar informação oficial (IPMA/Proteção Civil) e evitar aproximação a zonas inundadas, por mais “insólitas” que as imagens pareçam nas redes.
Leia também: Pescador captura 30 “monstros” em Sevilha: o peixe invasor que já ameaça o Tejo e o Douro
















