O controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa voltou a gerar preocupações depois de longas filas de passageiros e atrasos significativos na entrada de Portugal. O Governo anunciou a chegada de 80 polícias para reforçar os quadros, mas a associação sindical alerta que o problema é estrutural e não se resolve apenas com recursos humanos temporários.
De acordo com a SIC Notícias, esta quinta-feira, dia 18, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) realizou um plenário no exterior do aeroporto, reunindo agentes que exercem funções de controlo de fronteiras. Durante o plenário, cerca de 60 polícias abandonaram temporariamente os postos de controlo, aumentando os tempos de espera para os passageiros.
Segundo a mesma fonte, a paralisação durou pouco mais de 10 minutos, mas teve como objetivo pressionar o Governo a resolver problemas de recursos humanos e condições de trabalho no aeroporto, considerados críticos pelos agentes.
Reforço temporário contestado
O reforço de 80 profissionais anunciado pelo Executivo para o período festivo não convenceu a associação sindical. Paulo Santos, dirigente da ASPP, alerta que não existem condições estruturais criadas pela ANA Aeroportos e que, mesmo com mais polícias, “comprometer a segurança nacional com objetivos comerciais e tratar mal agentes da autoridade é errado”.
Escreve a publicação que os novos agentes deslocam-se de esquadras da Grande Lisboa, criando fragilidades noutras zonas, sem solucionar o problema principal do aeroporto, que é o aumento desproporcionado do fluxo de passageiros face às infraestruturas disponíveis.
Aeroporto sobrelotado
Por sua vez, Carlos Oliveira, polícia da esquadra de controlo de fronteiras, explica que “este aeroporto está completamente esgotado”, lembrando que o número de passageiros subiu de 17 milhões para 35 milhões por ano, sem que as boxes ou condições tenham sido ampliadas ou modernizadas.
Paulo Santos acrescenta em declarações à mesma fonte que esta sobrelotação tem levado a ordens internas para que a fiscalização seja menos rigorosa, de forma a garantir a fluidez de entrada e saída de passageiros. “Os colegas continuam a evidenciar ordens para que haja uma apatia na segurança, para que a fiscalização não seja muito apertada”, afirmou, alertando para riscos para a segurança nacional.
Falhas e reivindicações
De acordo com a SIC Notícias, na terça-feira, dia 16, os tempos de espera chegaram às sete horas, associados a problemas informáticos, mas que evidenciam fragilidades do sistema. A ASPP rejeita a responsabilidade dos polícias nesses atrasos e defende soluções estruturais permanentes.
Segundo a mesma fonte, os agentes já tinham entregue em novembro ao Governo um documento detalhando falhas e propostas para melhorar o funcionamento do controlo de fronteiras. O objetivo é garantir condições dignas de trabalho, fluidez para os passageiros e manutenção dos níveis de segurança nacional.
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